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Cristina
Kirchner anuncia redistribuição social com base no imposto da soja
A presidente argentina, Cristina Fernández de
Kirchner, anunciou, no dia 6 de junho último, o Programa de Redistribuição
Social, que inclui a construção de 300 centros de saúde, 30 grandes
hospitais, moradias populares, tanto urbanas como rurais, estradas nas
regiões mais desfavorecidas do campo para facilitar o acesso às cidades e
centros de distribuição de alimentos.
“Há três meses, em atribuições legítimas que nos
confere a Constituição, adotamos um sistema de retenções móveis (impostos à
exportação) para determinados produtos alimentares: para o milho e o trigo
reduzimos a alíquota que até aquele momento estava vigente, e a aumentamos
para a soja”, assinalou Cristina em cadeia nacional de rádio e televisão. “A
medida busca dois objetivos essenciais: o primeiro e principal, a segurança
alimentar, a soberania alimentar na mesa de todos os argentinos; o segundo,
a redistribuição da riqueza . Os argentinos não comemos soja”, explicou,
referindo-se ao fato de que a maioria esmagadora desse produto se exporta,
impedindo a produção de outro tipo de grãos e produtos essenciais para a
alimentação popular. “Este programa vai ser financiado com a diferença de
pontos existente entre essa retenção de 35 pontos, vigente em 10 de março, e
o que venha a crescer”, disse.
“Dos trinta milhões de hectares cultivados na
Argentina, 45% hoje é de soja e 95% dessa produção é exportada. Os preços
internos não podem ser acoplados aos enormes aumentos dos preços
internacionais. Nos últimos 12 meses, a soja subiu 73%, e o girassol 111%”,
esclareceu a presidente, mostrando que as medidas não são dirigidas contra
os agricultores, nem contra a produção agrícola. “O governo tomou a decisão
de aumentar o tributo à exportação de soja e de girassol [a chamada
retenção], por que os argentinos necessitamos que não se ‘sojise’ todo nosso
campo, necessitamos mais trigo, mais milho, necessitamos mais produtores de
gado, de leite, de carne. Nossos alimentos não podem ser cobrados à preços
internacionais”, afirmou.
A presidente advertiu que “ainda há muitos
argentinos sem trabalho e sem moradia e o meu governo, na chefia do Estado,
tem a responsabilidade de superar essa injustiça”, ressaltando que cometeu
um erro de “ingenuidade política” ao não perceber que a necessidade de
redistribuir a riqueza não seria fácil de aceitar para os setores que mais
se beneficiaram.
Também se referiu à obra nos primeiros seis
meses de seu governo destacando os convênios de trabalho com os sindicatos,
o substancial aumento de salários e trabalho registrado, a criação da União
de Nações do Sul e os avanços do Mercosul, o sucesso do Plano Racional da
Energia, entre outros. |