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Briga Sky X Telefónica/Abril mostra quem determina preço e conteúdo
A operadora de TV via satélite Sky, comandada
por Rupert Murdoch, e a Telefónica, através do grupo Abril, iniciaram uma
guerra por conta da suspensão da transmissão do canal Music Television B.
(também conhecido como MTV Brasil).
O estopim foi aceso há duas semanas, quando a
Sky decidiu tirar do ar o sinal da MTV para os seus assinantes em quase todo
o Brasil, exceto na grande São Paulo. A empresa de Murdoch alegou que a MTV
(canal de propriedade do grupo Abril em sociedade com o grupo
norte-americano Viacom) queria aumentar demasiadamente o preço para fornecer
o canal. Já a Abril afirma que foi uma “postura arrogante de quem detém o
meio de distribuição via satélite”.
O incidente, que não trará prejuízos aos jovens
brasileiros, esconde uma briga de fundo e revela um aspecto importante sobre
o debate do PL-29.
A guerra principal não é em torno do preço do
canal, mas uma queda de braço entre a Sky e a espanhola Telefónica - que
utiliza o grupo “Abril” como laranja na TVA para esconder o seu controle
ilegal nesta TV a cabo -, por uma parcela maior da TV por assinatura.
No entanto, o episódio mostra algo que o HP vem
alertado desde que o debate sobre o PL-29 iniciou, isto é, que quem
determina o conteúdo ou o canal que chegará à casa dos brasileiros é o dono
do meio de distribuição. É ele quem, caso aprovado o PL-29, determinaria os
canais, as produtoras ou programadoras, os produtos enlatados ou produções
estrangeiras pasteurizadas no Brasil, sem o mínimo conteúdo nacional, que
seriam transmitidos. Com a distribuição desnacionalizada, as cotas para o
audiovisual brasileiro seriam meros adereços.
Fora isso, cabe ressaltar ainda, que não é
verdadeiro afirmar que será a abertura para o capital externo que causará
concorrência no setor. Pelo contrário. Como é notório, quem monopoliza a TV
assinatura hoje no país, e ainda de forma ilegal, são os grupos
transnacionais (Sky, TVA e NET, que pertence à Telmex). A barreira existente
para a redução do preço da assinatura e a ampliação dos clientes foi
justamente imposta por eles.
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