Tucano omitiu licitação e assinou contrato
ilegal de R$ 4,82
milhõescom a Alstom
O ex-diretor da multinacional francesa Alstom,
José Sidnei Colombo Martini, nomeado em 1999 presidente da estatal paulista EPTE
(Empresa Paulista de Transmissão de Energia), assinou contrato de R$ 4,82
milhões com a própria Alstom sem licitação. A operação envolveu despesas com a
manutenção de transformadores. A Alstom montou na época um consórcio chamado
Gisel (Grupo Industrial para o Sistema Eletropaulo) do qual faziam parte a
Cegelec, Asea Brown Boveri (ABB) e a Lorenzetti.
Autoridades suíças revelaram recentemente que a
Alstom pagou propinas milionárias à autoridades do governo de São Paulo para
viabilizar a compra de equipamentos pela Eletropaulo no valor de R$ 110 milhões.
Segundo a Justiça suíça, as propinas incluíam pessoas da Secretaria de Energia
de São Paulo, do Tribunal de Contas do Estado e alguém descrito como
ex-secretário do governador com as iniciais RM. Hoje sabe-se que referem-se a
Robson Marinho, atual membro do Tribunal de Contas do Estado. Na época em que se
iniciaram os pagamentos, o secretário de Energia de São Paulo era David
Zylbersztajn, então genro de Fernando Henrique. David Zylbersztajn acaba de ser
convocado pela Assembléia paulista para prestar esclarecimentos sobre o
escândalo na CPI da Eletropaulo.
As ligações de Martini com o ex-governador
Geraldo Alckmin também são antigas. Em julho de 2003 ele conseguiu que a ABB
doasse 40 kits de padarias artesanais para a então primeira dama do estado, Lu
Alckmin. Em abril de 2006, a CTEEP, presidida por ele, patrocinou R$ 60 mil à
revista de Jou Eel Jia, então acupunturista de Alckmin.
Perguntado recentemente sobre se o possível
envolvimento do ex-governador no escândalo Alstom poderia prejudicar a campanha
política do PSDB, o prefeito da capital Gilberto Kassab afirmou que tem
acompanhado tudo com muito cuidado. “Espero que isso não aconteça, ficarei muito
decepcionado se tiver acontecido problemas no governo Geraldo Alckmin”, disse.
A EPTE surgiu da divisão do patrimônio da
Eletropaulo, privatizada em 1998. Em 2001, ela foi incorporada pela CTEEP
(Companhia de Transmissão de Energia Elétrica). Martini que era presidente da
EPTE manteve-se na presidência da CTEEP.
Matéria veiculada pelo jornal Folha de São Paulo
diz que a Alstom manteve contratos também com a União, numa tentativa de abafar
o escândalo do pagamento de propina para tucanos paulistas. Segundo o jornal, os
governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
fizeram pagamentos a Alstom de cerca de R$ 7 bilhões, entre 1995 e 2008. O
período de FHC fez as maiores transferências para a multinacional: R$ 5,7
bilhões, concentrados no segundo mandato. O jornal só não disse que as denúncias
das autoridades suíças, sobre pagamentos de propinas pela Alstom, estão
restritas aos tucanos de São Paulo.
|