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Para general Lessa, Ongs estrangeiras querem
Estado paralelo na Amazônia
Ex-comandante da Amazônia cita o crescente
movimento pela formação de nações indígenas e
que Ongs já “dominam territórios fisicamente”
Em duas ocasiões na semana passada, o
ex-comandante da Amazônia, general da reserva
Luiz Gonzaga Lessa, alertou para o aumento das
pressões pela internacionalização da região
amazônica por meio das ações de Ongs
estrangeiras e o perigo dessas ações para a
soberania do país. “A invasão branca da região
já começou”, afirmou o general no Fórum
Permanente em Defesa do Empreendedor, em São
Paulo, e também em entrevista ao Canal Livre, da
Rede Bandeirantes, no domingo.
Segundo ele, as terras indígenas na fronteira
norte do Brasil constituem a ponta de lança para
a região ser desmembrada. “Hoje elas pertencem
ao Estado brasileiro, mas há uma trama
internacional crescente para que se tornem
nações indígenas e depois deixem de ser
propriedade do Estado”, disse.
Aqui, vale lembrar a Declaração dos Direitos dos
Povos Indígenas, aprovada pela Organização das
Nações Unidas (ONU) com voto favorável do
Brasil, que reconhece expressamente às “nações
indígenas” o direito à autodeterminação e
enfatiza, entre outros termos, a “necessidade de
desmilitarização das áreas e territórios dos
povos indígenas”, que “as nações devem respeitar
as formas políticas, sociais e jurídicas de cada
povo indígena” e que “os indígenas terão livres
estruturas políticas, econômicas e sociais,
especialmente seus direitos a terras,
territórios e recursos”.
No Fórum, que abriga quase cem entidades, entre
elas a Federação do Comércio do Estado de São
Paulo (Fecomércio), a Federação das Indústrias
(Fiesp) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
o general foi aplaudido de pé por cerca de 700
pessoas.
De acordo com o general, em 5 milhões de
quilômetros quadrados espalhados em nove
estados, organizações e governos estrangeiros
fazem campanha internacional aberta para retirar
a Amazônia do controle brasileiro.
“Há
um imenso vazio demográfico que precisa ser
explorado, mas não a todo custo”, afirmou sobre
as terras indígenas e os 350 mil índios que
ocupam 12% do território brasileiro.
Ele divulgou um estudo da ONG Contas Abertas,
com base no Sistema Integrado de Administração
Financeira (Siafi), que mostra o vertiginoso
aumento de Ongs atuando dentro do país, entre
2001 a 2006.
De 22 mil, em 2002, elas passaram a
aproximadamente 260 mil em 2006. Em 2007, o
número pulou para 276 mil e mais de 100 mil
trabalham na Amazônia. “Há uma verdadeira
invasão branca na Amazônia sem ninguém dar um
tiro sequer. Trata-se de um neo-colonialismo”,
denunciou o general.
Lessa falou sobre a reserva indígena Raposa
Serra do Sol, cuja demarcação está sendo
analisada no Supremo Tribunal Federal (STF), e
que possui 12 vezes o tamanho da cidade de São
Paulo. O general citou as inúmeras riquezas da
área, como urânio em grande quantidade e
inexplorado. “Roraima, que tem sua superfície
ocupada por reservas indígenas em quase 50%,
representa o grande embate internacional contra
o Brasil”, denunciou. O general também citou a
importância estratégica mundial sobre o controle
da água. “O Brasil detém 20% da água doce do
planeta e 80% dela se encontra na bacia
amazônica”, disse.
Segundo Lessa, a atuação das Ongs estrangeiras
já criaram um verdadeiro “Estado paralelo” na
região Norte, onde essas organizações “dominam
territórios fisicamente”.
“Tem
partes da Amazônia que você só entra se a Ong
deixar. Eu só entrei em algumas áreas
controladas por Ongs fardado”. E explica: “Parte
dessas terras elas compraram, parte elas
controlam a população, particularmente os
índios. Nem como turista você entra nessas
áreas”.
Em uma entrevista recente, o general explicou
como funciona o acesso à algumas dessas áreas:
“Você pode chegar como cidadão brasileiro e
navegar para alcançar o alto do Rio Negro.
Chegando lá, em determinado ponto tem um tipo de
posto de controle de uma Ong, onde uma pessoa
lhe pergunta onde você vai. Então você responde,
vou subir um pouco mais o rio. Eles insistem e
perguntam com quem você quer falar e respondem
que não é possível passar dali. Essas áreas não
são bases militares, nem reservas indígenas, nem
propriedade privada, mas são restritas ao
cidadão comum”.
Ele diz que esse exemplo refere-se a áreas de
reserva florestal. “Quando você fala em reservas
indígenas, a restrição é pior. Porque, pelas
regras, o não-índio não pode entrar em terras
indígenas”.
Para o general, isso é gerado pelo “vazio de
poder motivado pela ausência do Estado”. Segundo
ele, a presença do Estado brasileiro na Amazônia
ainda é muito fraca. “Naquela área enorme, as
fronteiras são muito permeáveis, e o dispositivo
militar que existe nas fronteiras é fraco - de
vigilância, apenas”, afirma. |