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Crueldade contra jovens será punida, diz governo
e Exército
O encarregado do Inquérito Policial Militar,
aberto no Comando Militar do Leste para apurar o
envolvimento de militares no bárbaro assassinato
de três jovens do morro da Providência, no Rio
de Janeiro, pediu a prisão preventiva por mais
dez dias de quatro suspeitos, entre eles o
tenente que ordenou a entrega dos jovens aos
traficantes. Segundo o responsável pelo
inquérito, identificado como capitão Peçanha, o
pedido encaminhado ao Ministério Público Militar
na quarta-feira tem por objetivo proteger as
investigações.
Onze militares estão presos, desde domingo,
apontados como os autores do crime. Abordados no
sábado, os três jovens foram liberados pelo
comandante, um capitão, mas o tenente
responsável pela detenção decidiu por conta
própria entregá-los a traficantes do morro da
Mineira, dominado por uma facção rival à do
morro da Providência. Os três foram encontrados
mortos no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias,
com terríveis sinais de tortura. A população fez
manifestações, revoltada com o episódio.
Em nota distribuída pelo chefe da Seção de
Comunicação Social, cel. Carlos Alberto
Barcelos, o Comando Militar do Leste repudia o
ato dos militares. “O Exército repudia,
veementemente, qualquer desvio de conduta e
qualquer ação fora da legalidade praticada por
seus integrantes, inclusive no desenvolvimento
de operações de segurança na área abrangida pelo
acordo em questão”, diz o texto. O comunicado
ressaltou que a presença no morro atende às
missões constitucionais, por não se tratar de
uma ação de segurança pública, mas sim de apoio
a um projeto social do Ministério das Cidades. O
comando esclarece ainda que o contato inicial
com o Exército ocorreu em maio de 2007, sendo
“anteriores ao lançamento de candidaturas para o
pleito de 2008 e não caracteriza qualquer
ligação política-eleitoral”.
O presidente Lula também manifestou, em encontro
com o ministro Nelson Jobim (Defesa), na
terça-feira, sua profunda indignação com o fato.
Após a conversa com Lula, o ministro e o
comandante do Exército, Enzo Peri, seguiram em
viagem ao Rio, onde o ministro afirmou que a
atitude dos militares não será acobertada pelas
Forças Armadas.
Jobim classificou o envolvimento dos militares
no crime como um ato abominável e desprezível e
prometeu que a justiça será feita de forma
implacável. No morro da Providência, os dois se
reuniram com familiares e representantes de
moradores. O ministro foi convidado a entrar na
casa da tia de uma das vítimas, onde tomou um
café e reafirmou sua promessa de justiça. “Vamos
fazer justiça, estou aqui pra isso”, disse o
ministro à tia.
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