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CGTB e ANS debatem soluções para os problemas causados
pelos Planos de Saúde no país
A
reunião da executiva da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB)
com técnicos da Agência Nacional da Saúde (ANS), segunda-feira, debateu
medidas para o enfrentamento aos problemas causados pelos planos de
saúde e propôs a criação de cursos de qualificação de sindicalistas para
o processo de negociação com as empresas de saúde suplementar. Ficou
definido que estas questões terão prioridade nos debates do seminário
nacional que está sendo organizado pelas centrais sindicais e a ANS.
Na
avaliação de Jorge Venâncio, representante da CGTB no Conselho Nacional
de Saúde (CNS), embora a central lute por uma saúde universal, gratuita
e de boa qualidade, há cerca de 20 milhões de trabalhadores que são
atendidos por este sistema e é fundamental que as entidades se mobilizem
para impedir abusos e para evitar que o trabalhador seja prejudicado.
ATENÇÃO
Jorge
Venâncio citou três exemplos que precisam da atenção das centrais. Um
deles é a falta de cobertura para determinadas doenças e a outra é a
denúncia de que as empresas utilizam a cumplicidade dos planos de saúde
para não notificar casos de acidentes de trabalho ou doenças ocasionadas
pelo trabalho estafante ou repetitivo. Para Venâncio, as centrais e a
ANS precisam também ter um controle maior sobre o que os planos e as
empresas chamam de “prevenção de doenças”.
Conforme alertou o representante da CGTB na CNS, muitas empresas podem
utilizar os dados dos exames para promover demissões seletivas em
virtude de doenças congênitas e que é preciso “não só haver um controle
sobre a utilização das informações obtidas nos exames, mas também o
fornecimento delas para os sindicatos acompanharem a situação do
trabalhador e para evitar perseguições”.
O
gerente de relacionamento institucional da ANS, Flávio Oliveira,
sublinhou o significado do trabalho conjunto com o movimento sindical:
“sabemos da importância das centrais, da representatividade que elas
possuem na sociedade e da capilaridade de sua organização”.
De
acordo com Oliveira, existem cerca de 48 milhões de pessoas atendidas
por planos de saúde, sendo que cerca de 20 milhões são trabalhadores com
carteira assinada e, na maioria dos casos, não aderiram voluntariamente
aos planos, pois integram os coletivos que são oferecidos pelas
empresas.
DESEQUILÍBRIO
Flávio destacou que um dos papéis da Agência Nacional de Saúde é buscar
um equilíbrio entre as fornecedoras de serviços e os clientes, mas que
atualmente existe um “desequilíbrio para o lado do trabalhador”. “Já
ouvimos barbaridades em relação ao que os trabalhadores são submetidos
na relação com os planos coletivos de saúde”, frisou, destacando que a
ANS tem clareza de que a saúde é um direito inalienável das pessoas e
que não pode ser tratada como mercadoria, “como um saco de batatas”.
O
vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), apontou:
“nós percebemos é que quando mais as pessoas precisam do serviço, no
momento em que estão doentes, verificamos a existência de uma burocracia
que busca impedir que o cidadão seja atendido. Precisamos combater os
abusos e os descasos, porque às vezes é tarde para tomarmos
providências”.
Já o
secretário-geral da CGTB, Carlos Alberto Pereira, ressaltou que “esta
iniciativa da ANS de chamar as centrais para discutir é muito
importante, porque a saúde, tanto pública como privada, deve ter o foco
na pessoa, e não no mercado. Hoje, na maioria dos casos, os planos estão
voltados para os lucros”. |