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Discurso de Getúlio Vargas em 23 de novembro de
1934 (2)
Voltando ao Rio Grande, depois de quatro anos
Na
edição anterior, publicamos as considerações de
Getúlio Vargas sobre a obra política da
revolução e o caráter do riograndense. Nesta
parte final do discurso, ele expõe as principais
transformações administrativas, econômicas e
financeiras ocorridas no Brasil até 1934
O
aparelho administrativo, que padecia de todos os
vícios da rotina burocrática e produzia
rendimentos incompatíveis com as necessidades
públicas e os gastos feitos para conservá-lo,
foi totalmente remodelado. Instituíram-se, com o
propósito de articulá-lo melhor, dois
Ministérios de Estado, cuja organização se
tornara imprescindível. Dando especial relevo
aos serviços de educação e saúde, o Governo
Provisório destacou-os do departamento em que se
achavam, criando um órgão autônomo: o Ministério
da Educação e Saúde Pública. Reorganizou, assim,
um dos ramos de maior influência na formação da
cultura nacional, imprimindo-lhe orientação mais
eficiente.
Atribuindo ao proletariado, ao comércio e à
indústria um organismo próprio, com a
sensibilidade e aparelhamento necessários para
compreender as suas aspirações e atendê-las,
criou o Ministério do Trabalho, Indústria e
Comércio. Reformaram-se os serviços de todas as
Secretarias de Estado.
No
Ministério da Justiça e Negócios Interiores:
entre muitas iniciativas, como a Lei Orgânica do
Governo Provisório, o Código dos Interventores,
a reforma da justiça, conferindo-lhe a
auto-indicação para o preenchimento dos cargos,
a criação do Instituto dos Advogados, convém
salientar a da reforma eleitoral, cuja
significação nunca será demasiado acentuar. A
lei eleitoral remodelou o Brasil no capítulo da
sua trajetória política.
No
Ministério da Fazenda: criou-se a Comissão de
Compras; extinguiu-se a taxa ouro cobrada pelas
empresas estrangeiras; reformaram-se as tarifas
aduaneiras; remodelou-se o aparelhamento
fazendário, dando-se nova organização ao Tesouro
Nacional, coletorias, aparelhamento fiscal, etc;
apurou-se e está se realizando o pagamento da
dívida flutuante; criou-se a Comissão de Estudos
Financeiros e Econômicos, que fez o balanço das
dívidas externas da União e dos Estados, então
desconhecidas; estabeleceu-se a Lei do
Reajustamento Econômico; promulgou-se a Lei da
Reforma Orçamentária; regulamentou-se a compra e
a venda do ouro; organizaram-se os bancos de
crédito industrial, etc.
No
Ministério da Viação e Obras Públicas:
autorizou-se a construção de vários portos,
rodovias, estradas de ferro, aeródromos,
aeroportos, açudes e canais, redes telegráficas
e telefônicas; multiplicaram-se
extraordinariamente as linhas de navegação
aérea; reorganizaram-se os serviços de
Telégrafos e Correios e rádio-comunicação, no
território nacional; determinou-se um plano
sistemático de combate às secas do Nordeste, com
resultados nunca atingidos em mais de um século,
como examinaremos no próximo capítulo da obra
econômica da Revolução; melhoraram-se vários
portos do Brasil e construíram-se outros,
dando-se a devida aplicação à taxa de 2% ouro,
criada especialmente, para esse fim; criaram-se
escolas de aperfeiçoamento técnico; contratou-se
a eletrificação da Estrada de Ferro Central do
Brasil e edificaram-se várias dezenas de
prédios, destinados aos serviços a cargo do
Ministério da Viação.
No
Ministério das Relações Exteriores: sem referir
os tratados de comércio, que serão analisados
noutro passo, realizou-se grande reforma,
tendente a orientar a nossa política exterior
para as atividades econômicas. O Itamaraty vai,
aos poucos, perdendo a sua antiga fisionomia de
sala de visitas inútil, para converter-se num
laboratório de estudos sérios e fecundos.
No
Ministério da Guerra e da Marinha, operaram-se
consideráveis transformações, renovando-se o
material bélico e o sistema de seleção do
pessoal predestinado aos altos postos de
comando. Realizou-se, no Exército, a lei de
reajustamento de quadros e, na Marinha, a
reorganização da administração naval.
Instituiu-se o Fundo Naval, no intuito de dotar
o país com uma esquadra eficiente e moderna.
Criaram-se comissões técnicas de toda ordem,
escolas de aperfeiçoamento e centros de
preparação militar e naval.
No
Ministério da Agricultura: criaram-se vários
organismos capazes de estimular a produção
agrícola em todo o país; regulamentou-se o
plantio do café; estabeleceram-se princípios
gerais para a pesquisa do petróleo; reformou-se
a legislação sobre a colheita, beneficiamento,
classificação, acondicionamento, transporte e
embarque de frutas; reorganizaram-se as
diretorias técnicas: a Diretoria Geral de
Agricultura, a Diretoria Geral de Indústria
Animal, a Diretoria Geral de Pesquisas
Científicas; criou-se o Instituto de Tecnologia,
com o fim de estudar o melhor aproveitamento das
matérias-primas nacionais e de promover cursos
de especialização para os técnicos brasileiros;
criou-se o Instituto do Açúcar e do Álcool, o
Conselho Técnico da Produção, a Diretoria Geral
da Produção Mineral, o Instituto de Biologia
Animal, o Serviço Técnico de Café, o Instituto
Nacional de Estatística; estuda-se a organização
do Banco de Crédito Rural; baixaram-se os
Códigos Florestal, de Caça e Pesca, de Minas e
de Águas; estabeleceram-se bases e normas para o
cooperativismo, e instituiu-se o Patrimônio dos
Consórcios Profissionais Cooperativos. Enfim,
transformou-se um Ministério desarticulado e
inoperante num órgão técnico de propulsão,
fiscalização e controle da produção nacional.
No
Ministério da Educação e Saúde Pública: criou-se
o Conselho Nacional de Educação; reorganizou-se
o ensino secundário; dispôs-se sobre o ensino
superior; regulamentou-se o exercício da
medicina, da engenharia, da odontologia, da
medicina veterinária e das profissões de
farmacêutico, parteira e enfermeira;
nacionalizou-se o serviço de censura dos filmes
cinematográficos e criou-se a “taxa
cinematográfica para a educação popular”;
organizou-se o Colégio Universitário; Criou-se a
Universidade Técnica, e fixaram-se diretrizes
para o combate às epidemias e endemias.
No
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio:
criou-se o Serviço de Identificação
Profissional; regulou-se o exercício de todas as
profissões liberais; regulou-se a duração do
trabalho nas empresas industriais, comerciais e
bancárias; criaram-se Inspetorias Regionais do
Trabalho, Indústria e Comércio; instituíram-se
delegacias de Trabalho Marítimo; criaram-se as
Caixas de Aposentadorias e Pensões dos
Comerciários, dos Bancários, dos Marítimos, dos
Operários Estivadores, dos Trabalhadores em
Trapiches e Armazéns de Café; regulou-se a
concessão de férias e dispôs-se sobre os
Sindicatos Profissionais.
A
OBRA ECONÔMICA DA REVOLUÇÃO
Sem essa remodelação do nosso antiquado e
dispendioso quadro administrativo, irrealizável
fora do surto revolucionário, seria impossível
ao Brasil enfrentar as conseqüências da
gravíssima crise econômica e financeira que
abala todos os Estados modernos.
Faltava, entretanto, para complemento dessa
obra, a criação de um organismo centralizado,
para onde convergissem e de onde irradiassem
todas as medidas de estimulo e defesa da nossa
produção e da sua colocação nos mercados
nacionais e estrangeiros. Os assuntos de ordem
técnica, muitos dos quais de caráter urgente e
inadiável, emaranhavam-se na rede dos
departamentos oficiais. Os Ministérios, as
numerosas repartições federais e estaduais, as
diversas associações fundadas para incrementar o
desenvolvimento das fontes de produção e
consumo, funcionavam como verdadeiros
compartimentos estanques, sem um ponto de
referência capaz de orientar-lhes a
atividade.
O
Conselho Federal de Comércio Exterior,
instituído pelo Governo Provisório, foi o
instrumento coordenador dos nossos serviços
econômicos. A riqueza de um Estado é uma
resultante das boas normas administrativas. Ora,
a situação do nosso país impunha ao Governo o
dever de organizar a economia brasileira,
facilitando, dentro do território nacional e no
estrangeiro, o escoamento dos nossos produtos.
A
fim de assegurar a nossa posição nos mercados
exteriores, concluímos tratados de comércio com
quase todos os países da Europa e, na América do
Sul, com a República Argentina e o Uruguai. Vale
ponderar que, entre esses acordos, sobressai o
que firmamos com a França, nosso principal
comprador na Europa e que só agora nos concede
igualdade de tratamento aduaneiro. Antes,
dávamos àquele país a tarifa mínima para todos
os seus produtos, recebendo, em troca, a tarifa
máxima para os nossos, com exceção do café.
Para se verificar o efeito das medidas adotadas
pelo Governo Provisório em favor da economia
nacional, basta computar os dados de 1930 com os
atuais. A depressão universal, iniciada em 1929,
refletira-se, ameaçadoramente, sobre o café.
Enfrentando sem temor a herança que nos
transmitira o último Governo, os dirigentes
revolucionários combateram, de face, os
resultados desastrosos dos estoques acumulados,
da superprodução, sub-consumo e degradação de
preços. Se prosseguisse o ritmo anterior, o
Brasil teria, neste ano, como produto das safras
de 1930 a 1934, um estoque de 115 milhões de
sacas de café. Pela simples enunciação desses
números, podereis avaliar o destino sombrio que
aguardava o povo brasileiro.
Nosso principal agente propulsor ficaria
reduzido a instrumento de bancarrota humilhante,
símbolo eterno de incapacidade, falta de
patriotismo e incúria irremediável.
O
Governo Provisório deliberou, mercê do Convênio
dos Estados Cafeeiros, por intermédio do
Conselho Nacional do Café e, por fim, do
Departamento Nacional do Café, suprimir os
excessos de estoques acumulados, desde 1927. Até
31 de agosto de 1934, já foram eliminadas cerca
de 49 milhões de sacas, no valor total de rs.
2.689.261:767$160. Em menos de quatro anos,
portanto, sem recorrer a expedientes perigosos,
sem empenhar o crédito do país, conseguiu o
Governo restabelecer o equilíbrio estatístico
mundial do café.
Em
suma, a intervenção do Governo Provisório
permitiu a liquidação, entre janeiro de 1931 e
junho de 1934, de 101.454.318 sacas, sendo
52.905.000 exportadas e 48.549.318 compradas
pelo Conselho e pelo Departamento Nacional do
Café.
Acresce, ainda, que, transferindo para o
Conselho Nacional do Café o empréstimo de
20.000.000 de libras, primitivamente a cargo de
São Paulo, todos os Estados cafeeiros
contribuem, hoje, para amortizá-lo. Só por essa
eqüitativa e racional, o Tesouro do Estado de
São Paulo economizou mais de 1 milhão de contos
de réis. A fixação da taxa geral de 5 shillings,
para todos os cafés, foi outra vantagem
conquistada, aliás, com inteira justiça, pelo
produtor paulista. É mister, também referir que,
em virtude da campanha em prol do
beneficiamento, visando vencer os nossos
concorrentes, melhorou muito a qualidade média
das safras brasileiras. Por outro lado, a
liquidação dos cafés retidos produziu, em
pagamento de fretes, para as nossas estradas de
ferro, o lucro aproximado de 100.000:000$.
Finalmente, a Lei do Reajustamento Econômico
veio libertar a lavoura do Brasil, tão
pesadamente gravada, de 50% dos seus
compromissos.
A
prática da policultura, acoroçoada pela
Revolução, a fim de garantir-nos contra
possíveis colapsos desastrosos, vai obtendo
rendimentos realmente notáveis. O algodão entra
em ascensão vertiginosa na coluna estatística da
nossa economia. É, hoje, o segundo produto da
nossa exportação. Em 1933, anunciavam-se os
primeiros frutos da “Campanha do algodão”. A
safra atingiu, então, a 149.633.000 quilos. Pois
bem, a de 1934 estima-se em 271.700.000 quilos.
Calcula-se que, este ano, a produção do “ouro
branco” se elevará a cerca de 300.000:000$. Numa
palavra, para se formar seguro juízo de
desenvolvimento dessa riqueza entre nós, é
suficiente mencionar o fato de que, pela
primeira vez na história das relações
anglo-americanas, o Brasil superou os Estados
Unidos, colocando-se, francamente, na sua
dianteira, no mercado algodoeiro da
Grã-Bretanha.
O
cacau, as carnes congeladas, as lãs, os couros,
assim como vários artefatos industriais, estão
em franca prosperidade. E os que assim não se
acham, estão, pelos trabalhos em curso, com
largas perspectivas de expansão e
desenvolvimento. O amparo à produção do mate
denuncia-se de uma série de medidas postas em
prática para desenvolver o seu consumo,
fixar-lhe o tipo e beneficiar a erva. A fim de
coordenar o problema do açúcar, criou-se o
Instituto do Açúcar e do Álcool, que, evitando a
especulação baixista sobre esse produto, está
cuidando da instalação de grandes destilarias
para a fabricação de álcool-combustível, em que
será transformado o excesso das safras
açucareiras. Outra iniciativa digna de nota é o
aproveitamento obrigatório de 10% do carvão
nacional, que tanta resistência tem encontrado
da parte dos que monopolizavam a importação
desse combustível, em prejuízo da exploração das
nossas jazidas.
A
política da valorização econômica de terras
votadas ao abandono, como as da região
nordestina, onde se construíram açudes com o
duplo da capacidade de água armazenada até 1930;
o aumento da nossa rede ferroviária, numa média
superior à dos cinco anos anteriores à
Revolução; a construção de milhares de
quilômetros de rodovias, representando índice
mais alto que o dos quarenta anos de regime
republicano; a abertura e o melhoramento de
portos em toda a extensão de nossa costa; a
regularização dos serviços de navegação aérea
nacional e internacional demonstram,
irretorquivelmente, o progresso do país sob o
Governo Provisório. E é mister acrescentar que
tais obras vultosas foram levadas a cabo por
técnicos e operários brasileiros, sem o socorro
de capitais estrangeiros.
Outros sinais afiançam a vitalidade nacional. Os
poderes públicos têm estimulado o
desenvolvimento físico, moral e mental do povo,
criando escolas de aperfeiçoamento e, através do
Departamento Nacional de Propaganda e
Radiodifusão, vai despertando, no território
nacional e no estrangeiro, maior interesse pelas
coisas da Pátria. Os desportos, o teatro e o
cinema nacionais foram objeto de medidas
especiais, tendentes a libertá-los dos entraves
tradicionais.
Dos grandes Estados contemporâneos, é o Brasil o
único onde não há desempregados. As fábricas
trabalham, os estoques industriais encontram
rápida colocação, os campos agricultados
multiplicaram-se, mercê das medidas de proteção
à nossa economia. As cidades apresentam o
aspecto das eras de trabalho fecundo. A moeda
mantém-se valorizada, dentro do mercado interno,
como nenhuma outra em seus respectivos países.
A
OBRA FINANCEIRA DA REVOLUÇÃO
O
regime financeiro do passado assentava no
ludíbrio sistemático. Vivíamos nesse particular,
em situação verdadeiramente artificial.
Calculava-se a receita exageradamente sem
correspondência com a arrecadação das rendas
públicas. Ocultava-se a cifra de despesas
indispensáveis e, equilibrados, apenas, no
papel, nos orçamentos eram sempre deficitários.
A
desorganização dos nossos serviços, na matéria,
não poderia ser maior nem mais grave. Vários
Estados e Municípios desconheciam as próprias
condições financeiras, ignorando a letra dos
contratos de seus empréstimos externos. A União
possuía, somente, cópia de 40% dos textos dos
seus empréstimos no exterior. Ao instalar-se,
pois, o Governo Provisório, ficaram os
dirigentes do país impossibilitados de precisar
as responsabilidades da República.
No
intuito de corrigir falhas de tão lamentáveis
conseqüências e inspirando-se nos mesmos
propósitos coordenadores que editaram a criação
do Conselho Federal de Comércio Exterior,
instituiu o Governo a Comissão de Estudos
Financeiros e Econômicos e confiou a sua direção
ao Sr. Oswaldo Aranha, riograndense ilustre, um
dos colaboradores mais brilhantes e eficientes
do Governo Provisório em vários departamentos da
administração, nos quais prestou serviços
inestimáveis ao país, sendo elementar dever de
justiça pôr em relevo o seu nome, nesta feliz
oportunidade. Essa comissão desobrigou-se, em
pouco tempo, da sua tarefa mais premente.
Fez-se, destarte, o balanço integral dos nossos
compromissos, preparando-se o terreno para o
esquema das dívidas e traçando-se diretrizes
seguras, no sentido de equilibrar as despesas,
suprimindo gastos adiáveis, e aumentar as
receitas, pela fiscalização rigorosa da
arrecadação.
O
simples confronto entre o déficit de 1929 e o de
1932 nos orçamentos dos Estados seria suficiente
para atestar o escrúpulo com que o Governo geriu
os dinheiros da Nação. Em 1929, época de
perfeita normalidade, registrou-se um déficit de
423.951:000$. Em 1932, malgrado o movimento
revolucionário que perturbou o país inteiro
durante vários meses, o déficit ascendeu a
178.279:000$, isto é, a menos da metade daquele
que se verificou em período de completa paz
interna.
As
vantagens produzidas pelo esquema da dívida
externa, para o Governo Federal, são as
seguintes: lucro líquido de £ 13.774.615 ou
872.284:000$ (*), no pagamento de juros;
diminuição, no serviço de amortização de £
11.483.872 ou 689.706:000$; liberação do
depósito efetuado de acordo com o contrato de
funding-loan de 1931, no valor de
1.119.000:000$.
As
vantagens auferidas pelos Estados e Municípios
são as seguintes: lucro líquido de £ 15.845.227
ou 951.642:000$, no pagamento de juros; redução
no serviço de amortizações, no valor de £
10.651.859 ou 639.737:000$; na transferência,
sem juros de mora, para pagamento, no fim do
prazo dos empréstimos, de juros atrasados,
economia de £ 11.961.191 ou 781.373:000$;
liberação dos depósitos efetuados pelos Estados
e Municípios, referentes a juros atrasados,
podendo o respectivo valor ser aplicado no
pagamento da dívida interna ou em obras
reprodutivas; prorrogação por dois anos do prazo
de resgate do empréstimo de 1930 do Instituto do
Café do Estado de São Paulo.
Em
suma, com o esquema da dívida externa, ganhou o
Brasil a soma de £ 51.755.573 ou, ao câmbio de
31 de março do corrente ano, 3.108.369:000$. E
convém acentuar, ainda, que, sem recorrer a
empréstimos, efetuou, na dívida externa, o
Governo Provisório de outubro de 1930 a julho de
1934, as amortizações de 401.498:114$. Esse
fato, inédito em nossa história financeira, é o
melhor testemunho em favor da Revolução. Pela
primeira vez, não pedimos capitais estrangeiros
para satisfazer nossos compromissos,
interrompendo-se, assim, uma velha tradição,
pois, quer no período monárquico, salvo o
empréstimo de 65 para a Guerra e outros pequenos
para as estradas, quer no regime republicano,
todos os empréstimos constituíram novas dívidas
para saldar ou consolidar dívidas antigas.
Vale acrescentar, ainda, que, em virtude dos
acordos firmados com diferentes países,
regularizamos a situação dos créditos comerciais
bloqueados nos bancos, em conseqüência das
limitações na remessa de fundos para o
estrangeiro. E cumpre não esquecer a melhoria
progressiva na balança comercial brasileira,
cujos saldos favoráveis aumentam sensivelmente.
Todos esses sintomas de convalescença financeira
vieram fortalecer, de modo lisonjeiro, o crédito
nacional e estão permitindo a formação de um
ambiente profundamente favorável aos nossos
interesses.
*Valor que o Brasil economizou em função da
negociação da dívida externa realizada após a
decretação da moratória. |