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Coréia comemora 8
anos da Declaração de 15 de Junho
No dia 15 de
junho último comemorou-se o oitavo aniversário da Declaração Conjunta assinada
pelos presidentes do Norte e do Sul. A declaração foi inspirada no programa dos
dez pontos estabelecidos por Kim Il Sung para a reunificação pacífica da Pátria
ROSANITA CAMPOS*
No
dia 15 de junho último, na República Popular Democrática da Coréia comemorou-se
o oitavo aniversário da Declaração Conjunta assinada pelos presidentes do Norte
e do Sul.
Inspirada
pelo programa dos 10 pontos estabelecidos por Kim Il Sung para a reunificação
pacífica da Pátria, foi assinada pelo presidente Kim Jong Il, da RPD da Coréia,
e pelo presidente Kim Dae Jung, da Coréia do Sul.
A visita à
Pyongyang do presidente Kim Dae Jung foi a primeira de um chefe de Estado
sul-coreano desde o fim da guerra da Coréia, e a Declaração de 15 de Junho,
então assinada, é um marco importante na luta pela unidade do povo e do país.
A partir de
então, as duas partes dialogaram em várias oportunidades. Aconteceram visitas de
cidadãos de uma e outra parte aos familiares que antes eram proibidos de se
comunicarem, inaugurou-se uma linha ferroviária que ajuda a desenvolver o
comércio e a cooperação econômica, o intercâmbio de delegações governamentais e
da sociedade civil, e nas competições desportivas internacionais as Coréias têm
se apresentado como um só país.
SEGUNDO
ENCONTRO
Em 2007,
novamente um novo presidente da Coréia do Sul, Roh Moo Hyun, visitou Pyongyang
para o segundo encontro de cúpula intercoreana, onde foi integralmente
reafirmada a Declaração Conjunta de 15 de Junho em todos os seus pontos. Foi
assinada uma nova declaração conjunta “Desenvolvimento das Relações entre o
Norte e o Sul, a Paz e a Prosperidade”, firmada em 4 de outubro de 2007. “Coréia
do Sul e Coréia do Norte concordam em cooperar estreitamente para acabar com as
hostilidades, relaxar as tensões militares e solucionar os litígios mediante o
diálogo e a negociação para que se restabeleça a paz na península. Os dois lados
se opõem a qualquer guerra na península coreana”, e , “a observar estritamente a
obrigação de não agressão”, diz a declaração.
Propõe
também a adoção de medidas para a promoção da cooperação econômica e o
intercâmbio social e cultural em relação à história, à língua, à educação e à
ciência, à técnica e às artes; para substituir o atual armistício por um tratado
de paz definitivo que contribua para avançar o processo da reunificação; para
enviar conjuntamente o grupo de atletas das duas partes que participarão das
Olimpíadas de Pequim 2008, utilizando pela primeira vez o trem da linha
ferroviária da costa ocidental, e mudou o status do “Comitê para a Promoção da
Cooperação Econômica Norte-Sul” para “Comitê Conjunto de Cooperação Econômica
Norte-Sul”.
Kim Jong Il
considerou o encontro “a etapa mais elevada das relações bilaterais, cuja base é
a histórica Declaração Conjunta Norte-Sul de 15 de Junho de 2000 e que abrirá
uma nova conjuntura de paz na península coreana, prosperidade comum da nação e
reunificação da Pátria”.
Durante o
encontro da Associação de Países da Ásia-Pacífico (APEC), o presidente
sul-coreano Roh Moo Hyun cobrou publicamente de Bush a assinatura do tratado de
paz na península coreana pelos EUA.
O anseio pela
reunificação da Pátria é um sentimento comum entre os povos do norte e do sul,
mas a reunificação é dificultada pela presença no lado sul das tropas
norte-americanas até hoje estacionadas na linha de demarcação que divide o país
entre norte e sul, desde o fim da “Guerra da Coréia” em 1953 e que impõe essa
divisão artificial.
Está mais que
atrasada a retirada completa das tropas dos EUA que ocupam o território
sul-coreano para que seu povo e os governos do Norte e do Sul, de forma autônoma
e independente, “entre os co-nacionais”, realizem seus propósitos de unidade
nacional.
Desde há
muito, em 1975, durante as comemorações do XXX° aniversário de fundação do
Partido do Trabalho da Coréia Kim Il Sung afirmava: “A reunificação da Pátria é
o sonho de toda a nação coreana. Para unificar a Pátria de maneira independente
e pacífica, antes de tudo deve-se por fim à intervenção das forças externas que
constituem o principal obstáculo para a reunificação. A principal força externa
que impede nossa reunificação é o imperialismo norte-americano. Os imperialistas
são os que se obstinam hoje em perpetuar a divisão do país com sua política de
‘duas Coréias’”.
MOBILIZAÇÃO
Em Seul e
outras cidades sul-coreanas, cresce a mobilização pela reunificação e a
exigência para que se supere a divisão artificial imposta à nação. Para que as
tropas norte-americanas desocupem o território coreano.
O atual
presidente sul-coreano, o conservador Lee Myung Bak recém eleito, e empossado no
cargo há pouco mais de quatro meses, perde a cada dia sua popularidade. No
último dia 10 de junho presenciou, contrariado, uma grandiosa manifestação com
mais de 700 mil pessoas contra os EUA , na qual o povo exigia o seu impeachment
e que culminou com a queda do primeiro ministro e todo seu gabinete.
Por outro
lado, registram-se os crescentes esforços do Presidente Kim Jong Il e do PTC à
frente da RPDC e do povo coreano para que o acordo de armistício – na verdade um
acordo relativo de cessar fogo, onde a Coréia vive um estado de trégua
temporária – seja substituído por um “Tratado de Paz”, para que vigore uma paz
duradoura em toda a península, livre da ocupação norte-americana no sul, para
que assim seja possível materializar-se o sonho dos povos do sul e do norte da
Coréia de muitas gerações, de verem reunificado o país que jamais quiseram
divididos.
*Membro do
Secretariado Nacional do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR8 |