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Governo
argentino homenageia as vítimas
das bombas da oligarquia no golpe de 1955
“Neste dia em que estamos lembrando o 53º
aniversário dos bombardeios à Praça de Maio, inauguramos uma maravilhosa
estátua, homenageando não só homens e mulheres que perderam a vida nessa
trágica jornada, mas fundamentalmente um dos momentos chaves da história
contemporânea dos argentinos dos últimos 60 anos”, assinalou a presidente
Cristina Kirchner, ao descerrar a placa junto à artista plástica Nora
Patrich.
Em 16 de junho de 1955, 34 aviões descarregaram
sobre a Praça de Maio – a mais importante de Buenos Aires - e adjacências
mais de 10 toneladas de explosivos, num ataque sem precedentes que buscava o
assassinato do líder Juan Domingo Perón. Não conseguiram esse seu objetivo,
mas mataram centenas de pessoas que passavam pelo local e feriram cerca de
1000.
“Mas, além da coincidência das datas nada é
igual. O golpismo hoje é rechaçado pela imensa maioria de nossa sociedade.
Sobre essa medida das retenções móveis que tanta agitação tem causado a um
setor que há 90 dias bloqueia estradas, impede que outros argentinos
transitem livremente com seu trabalho; quero lhes dizer que, com as
faculdades que me concede a Lei, mais conteúdo democrático e ainda mais
institucionalidade, hoje vou enviar ao Parlamento da Nação um projeto de
Lei. Se não lhes basta com esta presidente, que há seis meses obteve 46 por
cento dos votos, e tomou essa medida pela redistribuição da riqueza e para
que os alimentos dos argentinos possam continuar tendo um preço acessível, o
pão, a carne, o leite para nossa gente, vou pedir ao Parlamento que também
trate a medida, independentemente de sua vigência, porque é uma faculdade
que lhe corresponde ao Executivo”, revelou Cristina, acompanhada pelo
vice-presidente Julio Cobos; o presidente provisional do Senado, José
Pampuro; o presidente do Partido Justicialista, Néstor Kirchner; o
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Fellner, além de ministros,
governadores, prefeitos e parlamentares.
DEMOCRACIA
A presidente chamou ao “respeito pela
democracia, pelos poderes legalmente constituídos. Democracia é do povo e
não das corporações”, afirmou, sublinhando que aqueles que não estão de
acordo “com este modelo que tem como centro o interesse dos trabalhadores e
da imensa maioria do povo argentino têm que se organizar em um partido, se
apresentar a eleições e tentar ganhá-las e não fazer inaceitáveis ameaças
desestabilizadoras e golpistas”.
O general Perón tinha vencido democraticamente
as eleições de 1951 pelo seu segundo mandato por 62,49% dos votos, contra
56% de sua primeira eleição.
SETOR AGRÍCOLA
Na época, uma situação de tensão e ameaças
estava sendo provocada também pelos latifundiários e exportadores do setor
agrícola que não aceitavam a política peronista de distribuição da riqueza:
50% do PIB passava às mãos dos trabalhadores.
A primeira tentativa de golpe ocorreu em 16 de
junho. As cifras oficias de mortos nunca foram dadas, estimando-se em cerca
de mil. Perón tinha se refugiado no Ministério de Guerra desde onde dirigiu
a resistência. Os sediciosos da oligarquia massacraram as pessoas que
andavam na praça e que viajavam em trolebus com bombas lançadas de aviões.
Três meses depois, no dia 16 de setembro de
1955, a Marinha encabeçou o golpe contra o General que, dias depois, teve
que se refugiar no Paraguai. Milhares de trabalhadores exigindo armas para
defender seu governo, convocados pela CGT, foram duramente reprimidos.
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