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Um balanço do Fórum
de Mídia Livre
ALTAMIRO BORGES *
O 1º Fórum de Mídia
Livre, realizado neste final de semana no campus da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, superou as expectativas mais otimistas. Apesar da frágil divulgação
e da débil estrutura, ele reuniu cerca de 500 ativistas de vários estados, o que
confirma a crescente rejeição à ditadura midiática e a existência de inúmeras e
ricas experiências independentes e alternativas por todo o país. Lançado em
março, num encontro em São Paulo com 42 jornalistas, docentes e comunicadores
sociais, o fórum já mostrou a sua força e tem tudo para ser um ator importante
na luta pela democratização dos meios de comunicação e pelo fortalecimento da
mídia livre.
Além do aspecto
quantitativo, que garantiu a sua representatividade, o fórum teve uma qualidade
que deve ser preservada e valorizada: a sua pluralidade. Durante os dois dias do
evento na UFRJ, houve a convivência madura e franca entre distintas concepções e
variadas experiências. Desde os que priorizam as iniciativas atomizadas e
autonomistas, até os que encaram esta batalha como eminentemente política, na
qual a pressão sobre o Estado é decisiva. O fórum teve a presença de jornalistas
da “mídia grande” – embora poucos – e de ativistas que realizam, de forma
heróica e criativa, experiências em rádios e TVs comunitárias, sites, blogs,
revistas e jornais.
Nesta unidade na
diversidade, surgiram várias propostas para o fortalecimento da mídia livre no
país – como a da construção de uma rede colaborativa, um tipo de portal, que
crie maior sinergia entre as várias experiências; a campanha pela democratização
das verbas publicitárias; a luta pela realização da Conferência Nacional de
Comunicação com critérios democráticos de participação; a exigência de que os
Correios distribuam impressos alternativos, superando o atual monopólio do
setor; a campanha pela inclusão digital e pela difusão do software livre;
construção de pontos de mídia livre, seguindo a rica experiência dos pontos de
cultura; entre outras idéias.
Os participantes
também aprovaram os próximos passos organizativos e políticos do Fórum de Mídia
Livre, o que consolida o movimento e indica que ele veio para jogar papel na
sociedade. A próxima fase, no segundo semestre deste ano, será a da constituição
dos núcleos nos estados, que terão autonomia para organizar fóruns estaduais
representativos; em janeiro próximo, durante o Fórum Social Mundial em Belém,
ocorrerá um encontro de caráter mundial ou latino-americano dos “midialivristas”;
e o segundo fórum brasileiro foi marcado para 2009. Também foi composto um novo
grupo de trabalho executivo nacional (GTE) para encaminhar as decisões da UFRJ.
No que se refere à
ação política, ficou acertada a ampla difusão do manifesto do movimento, que
será alvo de debates com os movimentos sociais e as forças políticas. Já os
núcleos municipais e estaduais agendarão encontros com representantes do
Executivo, Legislativo e Judiciário, assim como serão marcadas audiências com os
presidentes da República, do Congresso e do STF. A idéia é promover nesta data
um ato político em Brasília. A partir do belo evento da UFRJ, o Fórum de Mídia
Livre (FML) agora adquire nova dinâmica e seu êxito dependerá do engajamento de
todos os que encaram esta luta como indispensável à ampliação da democracia no
Brasil.
Altamiro Borges
é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro “As
encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição). |