
Professores rejeitam reajuste de
5% e mantêm firme na greve
“A
greve continua!” Esta foi a decisão
tomada por cerca de 60 mil professores
que participaram da assembléia geral da
APEOESP (Sindicato dos Professores da
Rede Oficial de Ensino do Estado de São
Paulo), realizada na sexta-feira, 20, no
vão livre do MASP, na avenida Paulista.
Em greve desde o dia 13 de junho, os
professores rechaçaram a proposta de
reajuste apresentada no dia anterior
pela Secretaria de Estado da Educação e
exigem a revogação do Decreto 53037 e da
Lei 1041.
No dia 19, quando 75% das escolas
aderiam ao movimento, a secretária da
Educação recebeu representantes das
entidades para apresentar uma proposta
de reajuste elaborada pelo Estado:
incorporação da Gratificação por
Trabalho Educacional (GTE), que varia de
R$ 48,00 – para jornada de 24 horas aula
– a R$ 80,00, para jornada de 40 horas
aula, além de um reajuste de 5%.
O quadro apresentado pela Secretaria da
Educação, proposto devido à força do
movimento grevista, não atende às
reivindicações dos professores. Por isto
foi rechaçada em assembléia. Os
professores continuam exigindo a
revogação do Decreto 53037 e da lei das
faltas médicas (Lei 1041). Os
professores reivindicam ainda um
reajuste que reponha as perdas salariais
acumuladas desde 1998, que chega a um
índice de 35%, a incorporação imediata
de todas as gratificações e o fim da
política de bônus. Segundo estudos das
finanças do estado elaborado pela
subseção Dieese da APEOESP, a
arrecadação recorde do ICMS possibilita
ao governo incorporar todas as
gratificações imediatamente e ainda
oferecer um índice de reajuste aos
professores.
A APEOESP mantém ainda a reivindicação
pela realização de concurso público
estadual classificatório,
considerando-se o tempo de serviço de
cada docente.
Em seguida à assembléia, os professores
dirigiram-se em passeata até a Praça da
República, onde participaram de um ato
público unificado da Educação, que
reuniu outros sindicatos da categoria –
funcionários de escola, diretores e
supervisores de ensino. A passeata tomou
todo o trecho da rua da Consolação entre
as avenidas Paulista e Ipiranga.
Na próxima sexta, 27, os professores
voltam à avenida Paulista para mais uma
assembléia estadual, marcada para as 15
horas, para decidir se a greve continua
ou não.
“O
aumento real é de 5%. Queremos reajuste
retroativo a março, que é nossa
data-base, que reponha nossas perdas
salariais, a incorporação de todas as
gratificações”, comentou Carlos Ramiro
de Castro, presidente da APEOESP. Para
ele, ainda, “não abrimos mão da
revogação do decreto, que traz enormes
prejuízos à categoria”.