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Para Lula, a crise externa é chance para o país crescer
Em discurso,
presidente ainda criticou alarde da mídia sobre supostas investigações no PAC
O presidente Lula criticou na terça-feira,
durante a cerimônia de assinatura dos atos do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), as matérias distorcidas de setores da mídia contra as obras do programa.
Abaixo publicamos os principais trechos de seu discurso.
“Eu penso que muita gente faz um esforço
incomensurável... Um esforço muito, mas muito grande para não entender o que
está acontecendo no Brasil. Primeiro, um comportamento republicano que poucas
vezes aconteceu na história deste país. Eu duvido que tenha neste país um
governador de qualquer partido político ou um prefeito de qualquer partido
político que possa dizer que, por qualquer razão, o governo federal o preteriu
nas discussões dos investimentos federais nos estados”.
“Eu tenho dito isso nos encontros de prefeitos,
com mais de 4 mil prefeitos, e hoje nós temos obras do governo federal em mais
de 5 mil cidades. Eu duvido que alguém diga: ‘não foi obra do meu município
porque eu sou do PFL, do DEM, do PSDB, do PSC, do PPS’. Duvido”.
“A segunda coisa que eu acho importante a gente
ter em conta é que, como há muito tempo o Brasil não via acontecer o que está
acontecendo. O que estamos fazendo é reparar a irresponsabilidade que alguns
governantes deixaram acontecer nas capitais brasileiras, porque a gente poderia
ter feito intervenções quando tinha um, dois ou três barracos. Mas quando tem
mil ou 2 mil, já virou um problema social”.
“O PAC é o começo da reparação disso, e eu tenho
certeza de que cada prefeito e cada governador tem consciência do significado
dos investimentos que estão fazendo nas áreas mais problemáticas dos seus
estados, das suas cidades, levando o papel do Estado lá para dentro”.
“Nós estamos criando a chance de dizer ao povo,
que foi excluído durante tanto tempo, que o Estado brasileiro resolveu competir
com o crime organizado, com o narcotráfico, resolveu fincar seu pé dentro dos
lugares mais degradantes deste país, para tornar a vida das pessoas mais digna e
mais decente”.
MANIPULAÇÃO DA MÍDIA
“Pasmem, meus amigos e minhas amigas, eu me
deparo com algumas manchetes assustadoras: “Obras do PAC têm corrupção” ou
“Corrupção nas obras do PAC”. Quando a gente vai pescar, pelo tamanho do
surubim, a gente percebe que tem ali, nada mais, nada menos do que um
mandi-chorão, daqueles bem pequenininhos”.
“Das 119 cidades, como eu conheço muito o
Brasil, uma grande maioria delas deve ter 10 mil, 8 mil, 15 mil habitantes, são
cidades muito pequenas. Logo de cara eu disse para a Dilma: não tem obra do PAC
nessas cidades. Pode ter qualquer coisa, mas eu conheço grande parte daquelas
cidades e sei que não têm obras do PAC. Qual é a conclusão a que nós chegamos?
Das 119 cidades, 37 têm obras do PAC, mas pasmem: nem a Polícia Federal, nem a
CGU, nem o Tribunal de Contas, que começou essa investigação... Tem casos de
1998. Mesmo os que começaram em 2003, o PAC é de 2007. Ninguém ainda pode dizer,
nem a Casa Civil, nem a Caixa Econômica Federal, nem o Ministro das Cidades, nem
um jornalista, ninguém pode dizer qual é a obra que está sendo investigada,
porque está ocorrendo sob sigilo da Justiça”.
“Pasmem: apenas 37 cidades têm obras do PAC, mas
nós não sabemos se são elas que estão sob investigação. Dessas 37 obras do PAC,
apenas 8 cidades começaram as obras. De quase 1 bilhão e 800 milhões de reais,
foram liberados, nessas 8 cidades que começaram as obras, apenas 15 milhões.
Isso significa menos de 1% do dinheiro previsto para essas obras. Entretanto, a
loucura que muitas vezes está impregnada na cabeça dos julgadores parte, de
forma muito agressiva, para primeiro fazer a acusação, primeiro achar o culpado.
E qual é o culpado? É o PAC, porque ele agora se apresenta na política
brasileira como o Bolsa Família há três anos”.
“Somente quem anda pelo Brasil sabe o que é o
PAC. Quem nasceu em rua asfaltada não sabe o que é um cidadão que mora na
periferia ter que trabalhar em tempo de chuva, não tem a menor noção. Por isso,
muita gente gosta de filosofar sobre um país que faz questão de não conhecer”.
“Este país não tem retorno. Vocês vão se cansar
de fazer obras, porque não pensem que este PAC termina agora, não. Logo, logo
terá um outro PAC. Nós aprendemos a gerenciar, e vocês aprenderam, nesse quase 1
ano e meio de PAC, a fazer projetos, a vencer obstáculos, a envolver segmentos
da sociedade para a gente fazer o que está fazendo hoje. Imaginem vocês se o
Brasil tivesse utilizado um PAC há 10 anos, e se nós estivéssemos, há 10 anos
consecutivos, fazendo investimentos em obras de infra-estrutura, em urbanização
de favelas, em habitação, em água potável, em tratamento de esgotos. Este país
seria uma maravilha”.
CRISE INTERNACIONAL
“Estamos vivendo, agora, uma crise mundial na
agricultura. Pois bem, para os outros pode ser crise, mas para este país é
oportunidade. Por isso, vamos a Curitiba lançar o Plano Safra na semana que vem,
da agricultura empresarial, do agronegócio, não apenas para dizer que tivemos
coragem de fazer a negociação das dívidas, que os agricultores esperavam há mais
de 20 anos e ninguém tinha coragem de fazer. Nós fizemos e vamos desafiá-los: se
o mundo quer carne, nós saberemos produzir; se o mundo quer álcool, nós
saberemos produzir; se o mundo quer soja, nós saberemos produzir”.
“Vou sair de Curitiba e venho para Brasília para
lançar o Plano da Agricultura Familiar, para dar a mesma resposta. O problema é
o feijão, é o tomate, é a cebola? Pois bem, vamos estabelecer um programa de
mais alimentos para que a gente possa criar políticas de financiamento e
duplicar ou triplicar a produção da agricultura familiar. Se o mundo tem fome,
este país pode contribuir para ajudar a dar comida àqueles que querem comida”.
MAIS OBRAS
“Vou começar um processo de inauguração de
escolas técnicas e de campi universitários; vamos inaugurar as escolas técnicas
e as extensões universitárias; vamos inaugurar as obras de irrigação; e depois
vamos começar a visitar as habitações que estamos fazendo. Vocês vão perceber
que, desde o governo Figueiredo é o momento mais extraordinário da Caixa
Econômica Federal em investimentos em habitação”.
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