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CMB convoca mulheres a vencer obstáculos a acesso ao trabalho
Gláucia, presidente da Confederação das Mulheres do Brasil, ressaltou a importância do PAC e da norma do mínimo de 30% de mulheres para empresas que participarão do programa, durante o seminário sobre a mulher, o trabalho e o desenvolvimento
A
inclusão das mulheres no mercado de trabalho não é um custo extra, mas
algo essencial para o desenvolvimento da Nação e seu povo", afirmou a
presidente da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Gláucia
Mo-relli, em Seminário realizado no dia 18 de junho, no Sindicato dos
Engenheiros de São Paulo.
O evento foi organizado pelas entidades CMB e a
Federação das Mulheres Paulistas (FMP), onde foram debatidos os temas "a
mulher, o trabalho e desenvolvimento: direitos, conquistas e desafios".
Durante os debates foi destacado que o direito ao trabalho e a
conseqüente emancipação da mulher no Brasil e em todo o mundo passa pelo
fim do domínio dos oligopólios, que produzem carências econômicas e
sociais para manter um sistema excludente que permite perpetuar a
exploração sobre as pessoas e os países dependentes.
DESIGUALDADE
Gláucia sublinhou ainda a importância do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento) para a redução da desigualdade
de gênero e das medidas tomadas pelo governo - que exigem como
contrapartida das empresas que participam do programa, executarem suas
obras com a contratação de um percentual mínimo de 30% de mulheres.
A líder feminina relatou ainda que a CMB
encaminhou proposta ao Ministério do Trabalho - para que o órgão possa
encontrar uma forma de ampliar a fiscalização e punição das empresas que
não cumprirem a lei e não respeitarem a licença maternidade, horários de
amamentação, ou as que não oferecem creches e assistência à criança.
"Trabalhar, produzir e contribuir com sua
inteligência, é uma necessidade da mulher para ela se desenvolver como
ser humano, para um país que quer crescer. Assim, não podemos ser
dominadas por um ‘mercado’ que visa apenas o lucro, a exploração da
mão-de-obra que beneficia poucos conglomerados internacionais",
sublinhou a presidente da FMP, Lídia Correa.
A
presidente da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM),
Márcia Campos, destacou a luta das mulheres no mundo passa pela redução
das desigualdades sociais e a conquista de condições plenas para fazer
valer os seus direitos, como creche, licença maternidade e salários
maiores. "Os avanços só serão conquistados com a união dos
trabalhadores, empresários e governos para proteger as suas economias da
ação predatória de grupos estrangeiros, que são os responsáveis pela
exploração de homens e mulheres".
POBREZA
De acordo com a deputada Ana Perugini (PT-SP), um
estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que a diminuição da
desigualdade social está diretamente ligada com a redução da pobreza no
mundo. "Precisamos libertar homens e mulheres desta cultura, desta
economia que explora e procura isolar a mulher", acrescentou.
Segundo um estudo do Instituto de Pesquisas
Econômica Aplicada (Ipea), que realizou simulações dos impactos da
redução da desigualdade salarial e da inserção da mulher no mercado de
trabalho para a redução da pobreza, um salário semelhante entre homens e
mulheres reduziria em 10% a proporção de pobres.
O debate possibilitou uma grande troca de
experiências entre os painelistas e as lideranças presentes. Os
participantes relataram os problemas e dificuldades enfrentadas pelas
mulheres no dia-a-dia, como a falta de creches, dupla jornada,
discriminação no mercado de trabalho, desemprego, a escravidão do
trabalho doméstico, entre outras questões.
As principais exposições do Seminário, que reuniu
dezenas de sindicalistas, representantes de centrais sindicais,
lideranças femininas e de associações de bairro, empresários e
políticos, foram realizadas pela dra. Lucíola Rodrigues, superintendente
da DRT/SP; por Miguel Manso, representante do Instituto do Trabalho
Dante Pellacani (ITDP); e por Guiomar Aquilini, em nome do Sistema
Estadual de Análise de Dados (Seade). |