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Sentença do juiz ia deixar moradores ao
relento e operários desempregados
Após manifestações, TRE-RJ volta atrás e
libera obras no Morro da Providência
Alegando caráter eleitoral no projeto que
beneficia 728 famílias e emprega 150
trabalhadores do Morro da Providência, TRE do
Rio mandou suspender as obras do projeto Cimento
Social, deixando casas destelhadas e com
buracos. A Comunidade se mobilizou e conseguiu
reverter a medida anti-social
Após
os protestos dos moradores do Morro da
Providência, na Zona Portuária do Rio, o juiz
Fábio Uchôa, do TRE (Tribunal Regional
Eleitoral), voltou atrás e liberou, na
quarta-feira à noite, a continuidade em regime
de mutirão das obras do Projeto Cimento Social.
Por sentença sua, as obras haviam sido
paralisadas na segunda-feira. Segundo disse o
juiz, o motivo foi uma denúncia “anônima” (sic)
de que as obras teriam caráter eleitoral,
beneficiando o senador Marcelo Crivella,
candidato a prefeito nas próximas eleições. Por
coincidência, a denúncia anônima era idêntica à
acusação feita dias antes pelo atual prefeito do
Rio, Cesar Maia, adversário de Crivella e
sustentador da candidata Solange Amaral.
As obras no morro da Providência foram aprovadas
pelo presidente Lula em maio de 2007 e começaram
em dezembro. Na época, Crivella, autor do
projeto, não era candidato. Pela jurisprudência
aplicada pelo juiz em sua primeira sentença, os
parlamentares estariam definitivamente proibidos
de propor obras e projetos que beneficiem a
população, já que concorrerão a outras eleições.
E, se essa lógica for levada às últimas
consequências, o presidente, os governadores e
os prefeitos também estariam impedidos de fazer
obras - pois, via de regra, concorrerão a outras
eleições.
O projeto Cimento Social beneficia 728 famílias
e suas casas, empregando diretamente 150
operários da comunidade, contratados com
carteira assinada, que trabalham na reforma de
estrutura e fachada das residências.
VERBA
Agora,
com a nova medida do juiz, permitindo a
continuidade apenas em regime de mutirão, a
presidente da Associação dos Moradores do Morro
da Providência, Vera Melo, terá que ir a
Brasília solicitar ao Ministério das Cidades a
liberação da verba prevista, para que a
comunidade possa retomar as obras. O que, com
certeza, vai exigir novos trâmites e causar mais
prejuízos aos moradores.
Ao paralisar as obras, o juiz não levou em
consideração que 150 trabalhadores ficariam
desempregados, que trinta casas ficariam
inconclusas, com buracos e vergalhões à mostra,
16 destelhadas, e algumas até demolidas pela
necessidade de reforço total em suas estruturas.
Quando mandou lacrar as obras, o juiz Fábio
Uchôa reconheceu o prejuízo para a comunidade,
mas disse que não cabia a ele avaliar isso. “É
um problema que extrapola a minha decisão, que
foi jurídica”, disse.
A decisão causou revolta na comunidade. O mais
significativo é que ela foi tomada após o
assassinato de três jovens do morro por uma
quadrilha rival daquela que existe no morro da
Providência. As medidas contra os militares que,
sesonrando sua farda e missão, entregaram os
jovens aos traficantes, já foram tomadas pelo
Exército. Porém, cabe ressaltar que a medida do
juiz só beneficiava os traficantes - pois é na
ausência do Estado, é em meio ao desemprego, é
na falta de atendimento público que as
quadrilhas de traficantes se cevam, crescem como
um câncer e envolvem moradores, sobretudo os
mais jovens e desesperados. Foi a ausência
do Estado, no período de Fernando Henrique, que
permitiu que os traficantes tomassem os bairros
populares do Rio.
AÇÃO DO ESTADO
Exatamente quando o Estado está retomando a sua
função, quando obras são levadas às favelas e
bairros, aparece uma decisão que tenta impedir a
ação do Estado. A quem isso pode beneficiar,
senão aos traficantes?
Naturalmente, a mídia oposicionista apoiou a
interrupção das obras. O que mostra o seu
caráter. Não lhe importa que famílias fiquem ao
relento, que jovens sejam aliciados pelo tráfico
- ou, mesmo, que inocentes sejam barbaramente
assassinados. Tudo é, no máximo, um pretexto
para o seu golpismo. A mesma mídia vive
repetindo que os políticos são inoperantes, que
não se preocupam com a população. Mas quando
aparece algum projeto popular proposto por algum
político, sua atitude é tentar impedi-lo - até
influenciando negativamente certos membros do
Judiciário.
Tais projetos não têm caráter eleitoral. Mas é
evidente que um político deve ser julgado nas
urnas por suas ações e projetos. O que há de
errado em que o povo vote em quem age em seu
benefício? Ruim seria a situação em que votasse
em quem o prejudica. O resto é demagogia, ou,
quem sabe, utilizar medidas jurídicas para
beneficiar outros candidatos, que não estavam
fazendo nada por aquela comunidade. Há meses o
prefeito César Maia vinha bombardeando as obras
no Morro da Providência. Com a comunidade
fragilizada pelo trágico assassinato de três
jovens, Maia resolveu fazer sua farra. E,
infelizmente, houve quem o secundasse no TRE.
Segundo o senador Crivella, ele pretende ver o
Cimento Social transformado em lei, conforme o
projeto de número 541/2007, apresentado no
Senado, e que “estende os benefícios a todas as
áreas de risco das grandes cidades brasileiras”. |