|
Parlamentares
condenam relatório do Ministério Público do RS que advoga perseguição ao MST
Um relatório do
procurador Gilberto Thums, subscrito pelo Conselho Superior do Ministério
Público do Rio Grande do Sul, propondo a dissolução e a criminalização do
MST gerou indignação em parlamentares, entidades populares e partidos
políticos. O relatório e as constantes intervenções violentas da Brigada
Militar contra o movimento, segundo líderes do MST, fazem parte de uma
política orquestrada pelo governo estadual para acabar com o movimento.
Para Cedenir de
Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST, o relatório, trazido à
tona recentemente, é uma paranóia e atende a interesses ideológicos e
políticos. “O que está ocorrendo no Rio Grande do Sul é uma articulação,
que, no nosso entendimento, é uma das maiores desde a ditadura militar, que
pretende acabar com as organizações sociais. Envolve o Ministério Público
Estadual, a Brigada Militar, o governo do Rio Grande do Sul, articulados com
grandes empresas, que estão querendo impedir a mobilização dos
trabalhadores. A luta pela reforma agrária é, sobretudo, uma luta política,
no sentido de que é a conquista da terra”, disse Oliveira.
Entre as
reclamações de Thums está a de que o MST, chamado de “organização
criminosa”, ocupa fazendas de empresas estrangeiras instaladas no Estado. “O
que invasores movidos a cachaça vão fazer numa fazenda [estrangeira]
mecanizada que é produtiva”, diz Thums, apontando que é necessário
“neutralizar o MST no RS, desconstituindo-o como um movimento legítimo de
reivindicação”, “declarando a sua ilegalidade”, quebrando “a sua espinha
dorsal” e não se importando com “o desgaste eventual das medidas aos
simpatizantes do movimento”.
Segundo o deputado
federal Adão Pretto (PT/RS), é possível perceber que as lideranças sociais
estão sendo “massacradas por essa Brigada Militar a mando do governo do
estado. Não é não [um fato isolado]. É uma coisa orquestrada”.
Não satisfeito com
seu relatório, Thums ainda aproveitou para atacar o presidente Lula: “O MST
não quer reforma agrária. O RS não tem terra para a reforma agrária. Se eles
querem terra, eles podem acampar em Brasília, onde está o presidente Lula, o
representante maior deles”. |