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Evo:
“Nosso povo lutou pela independência. Temos uma nação e ela não pode ser
dividida”
Diante das
declarações golpistas dos governadores da Meia Lua, o presidente dialogou
com civis e militares sobre o que está em jogo com o referendo revogatório
marcado para o próximo dia 10 de agosto. “Recorda o povo boliviano, nossos
embaixadores e autoridades aqui presentes que, no ano passado, entre outubro
e novembro, alguns governadores pediram o referendo revogatório para o
presidente. Tanto insistiram que aceitei, para que todo aquele que foi legal
e constitucionalmente nomeado pelo povo se submeta ao voto. Disse: aceito
não só para o presidente e o vice-presidente, mas também para os
governadores. Repito: não pedi, me pediram. E agora os que me pediram não
querem mais”.
“O que entendo
eu por referendo revogatório? Que o povo, nesse processo de aprofundamento
da democracia, não somente tem o direito de eleger as suas autoridades, de
nomeá-las, mas também de pôr fim ao seu mandato. Que o voto não sirva apenas
para dizer a cada cinco anos quem é o presidente, vice-presidente,
parlamentares, governadores, prefeitos, mas para revogar o mandato de quem
não serve. Não há porque fugir do povo. Quando alguns governadores rechaçam
o referendo revogatório, sinto que não serviram bem, por isso tanto temem o
julgamento popular. Ou talvez seja porque quando revogue seu mandato, algum
governador vai deixar de roubar, de seguir roubando”. Há inúmeras denúncias
contra os governadores da Meia Lua por improbidade administrativa, boa parte
vinculada a negociatas com a privatização de serviços públicos e acertos com
transnacionais.
O presidente
voltou a pedir a esses governadores “que respeitem as normas, a Constituição
política do Estado vigente e a lei da República” e informou que, quanto às
diferenças de apreciação “haverá tempo e espaço para debatê-las”. Mas, o
fato, disse Evo, é que existem regras que devem ser cumpridas por todos e
que serão asseguradas pelas Forças Armadas e pela Polícia Nacional.
“Quero exortar a
Polícia Nacional aqui reunida, as Forças Armadas, que sejam um exemplo de
respeito às normas e de fazer respeitar a Constituição da Bolívia. Nosso
povo lutou por um país, pela independência. Foram grandes lutas nos tempos
de colônia e, agora, quando temos uma nação, ela não pode ser dividida.
Nosso país não pode ser fracionado e por isso nós temos a obrigação de
respeitar a lei vigente. Desta maneira, irmãs e irmãos, defendendo
democraticamente a legalidade, vamos seguir trabalhando e melhorando nossa
querida Bolívia”, declarou o presidente.
Na avaliação de
Evo, algumas poucas famílias abastadas, que mandaram e desmandaram ao longo
dos séculos no país, não aceitam a redistribuição da terra e da renda, não
querem abrir mão de indecentes privilégios em benefício da ampla maioria da
população, por isso buscam refúgio em “estatutos autonômicos” inteiramente à
margem da lei.
Estimulados pelo
governador de Santa Cruz, que exortou a população a se manifestar contra a
visita do presidente à região, marcada para esta terça-feira, bandos
fascistas da União Juvenil Cruceñista tentaram tomar a praça de pedágio da
estrada que liga a capital do Estado a Cochabamba. Dois veículos da Polícia
Nacional foram queimados e sete direitistas foram detidos, entre eles seu
líder, Alfredo Saucedo.
“A única
coisa que estamos buscando é maior igualdade entre os bolivianos, e é isso o
que lhes molesta, é isso o que não aceitam. Mas estou seguro de que a luta
pela justiça e pela igualdade social é de todos nós. Então, como presidente,
como governo, não vamos vacilar. Jamais trairemos esta luta histórica,
programática, cultural e ideológica para dar dignidade ao nosso povo. Quero
dizer-lhes, desde esta praça histórica, aos governadores, aos prefeitos:
sejamos responsáveis para nos submetermos ao povo boliviano”, concluiu Evo. |