|
Mugabe convoca
Zimbábue a votar e nocautear lacaios de colonialistas
“Podem
gritar tão alto quanto queiram de Washington e Londres, mas é o nosso povo
que dará o veredito final”, afirmou o presidente Robert Mugabe, conclamando
a população a consolidar a soberania do país com a eleição da sexta-feira,
27
“Somos uma nação soberana e as eleições são
nossas. Podem gritar tão alto quanto queiram de Washington e Londres, mas é
o nosso povo que dará o veredito final”, afirmou o presidente Robert Mugabe,
convocando o povo do Zimbábue a “nocautear” o lacaio da Inglaterra e dos
EUA, Morgan Tsvangirai, no segundo turno das eleições à presidência, na
sexta-feira dia 27.
Na segunda-feira, na ONU, fracassou a tentativa
dos governos de W. Bush e do primeiro-ministro Gordon Brown de impingir ao C onselho
de Segurança sua cria, Tsvangirai, de “presidente” do Zimbábue, e de
cancelar o segundo turno da eleição. A “nomeação” do capacho foi impedida
pela ação da África do Sul, Rússia, China e Indonésia, e o que saiu foi uma
– nos termos do “The New York Times” – declaração “aguada”, além de sem
caráter obrigatório. No domingo, véspera da reunião do CS, após receber
instruções, Tsvangirai havia anunciado sua “retirada do segundo turno” e
encenado “refugiar-se”, isto é, tomar chá, na embaixada da Holanda.
Outras manobras dos colonialistas também ruíram
igualmente. Tentaram atribuir à Comunidade de Desenvolvimento da África
Austral (SADC, na sigla em inglês), uma condenação ao governo de Mugabe, mas
a África do Sul e Angola – respectivamente o país que recebeu o mandato da
SADC para as conversações, e o país relator – se recusaram a comparecer e só
foram dois países, o que praticamente foi escondido pela mídia imperial.
Pinçaram algumas partes da declaração do Congresso Nacional Africano, da
África do Sul, e esconderam as partes que explicitamente condenavam os
colonialistas e sua ingerência.
Na quarta-feira, culminando vários e exaltados
apelos da fina flor da mídia colonialista por “ medidas
mais duras”, golpes de estado, invasões, sanções que causem fome e inclusive
uma insinuando o assassinato de Mugabe, o próprio Tsvangirai divulgou
documento pela intervenção de tropas no país para “estabelecer a transição”.
Prometeu ser “magnânimo” com quem trair o Zimbábue.
Na véspera, a Comissão Eleitoral do Zimbábue (CEZ)
- indicada no início do ano, pelos partidos concorrentes, nos termos das
negociações conduzidas pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
- decidiu por unanimidade manter a realização do segundo turno, como a lei e
a constituição determinam. Para a Comissão, a carta de Tsvangirai se
retirando do pleito não tem qualquer valor legal e foi, ainda, apresentada
“bem fora do prazo”. “As cédulas já foram impressas e despachadas, e o
senhor Tsvangirai já foi comunicado”, anunciou o ministro George Chiweshe.
Em seu pronunciamento, Mugabe voltou a repudiar
as pressões contra o segundo turno das eleições e destacou que cabe
unicamente ao povo zimbabuano decidir se as eleições são livres e limpas. O
presidente afirmou, ainda, que o Zimbábue está pronto “para resistir e
repelir” qualquer ameaça ou interferência externa no país. Ele acrescentou
que soluções para impasses ou desacordos com a oposição do MDC, o partido de
Tsvangirai, deveriam “ter suas raízes no país” e não ser impostas de fora.
CAVALO DE
TRÓIA
No primeiro turno, Tsvangirai ficou 120 mil
votos na frente de Mugabe – o que foi conseguido com uso, em larga escala,
da “ajuda humanitária” da Usaid, órgão do Departamento de Estado, para
traficar votos em um país duramente atingido pelas sanções e sabotagem
econômica aberta. A campanha do segundo turno propiciou um amplo desmascara
mento de quem é Tsvangirai: o cavalo de tróia dos colonialistas, privatista,
adepto de devolver aos colonos ingleses as terras retomadas pelos
zimbabuanos, e caçador de marajás – no caso, os veteranos da guerra da
independência, por passarem a receber modesta pensão.
Sobre certas declarações de um ou dois países
africanos com relação ao processo eleitoral no Zimbábue, Mugabe registrou
que “nós aceitaremos julgamentos com base na objetividade. Se alguém abriga
motivações ocultas, então que guarde o julgamento para si mesmo. O veredito
é nosso, é do povo do Zimbábue”. Ele comparou tal loquacidade com o silêncio
quanto a dizer “que as sanções impostas pelo ocidente deveriam ser
revogadas”, ou conclamar os colonialistas “a não interferirem nos nossos
assuntos internos”. “Se permitirmos que isso aconteça, então a África não é
independente ainda”, assinalou Mugabe, complementando que “o Zimbábue se
recusa a se submeter a tal dominação e tratamento”.
ANTONIO PIMENTA
|