|
Suprema Corte
dos EUA livra Exxon de pagar
US$ 4,5 bilhões por crime ecológico no Alasca
Vinte anos depois que o petroleiro Valdez da
Exxon espalhou óleo por quilômetros de praias no Alasca, a companhia ainda
não pagou a multa estipulada em US$ 5 bilhões pela justiça dos EUA. Agora, a
Suprema Corte acaba de expedir uma sentença cortando a multa em 90%,
reduzindo-a para 500 milhões de dólares.
A redução abrupta é tão escandalosa que o
escritor norte-americano, Greg Palast, chamou a sentença de “uma permissão
para derramar óleo”.
Segundo Palast, que acompanhou os processos e o
drama das populações atingidas pelo desastre ecológico, “os moradores tinham
a expectativa de chegar a um acordo com a companhia de petróleo; uma
compensação para comprar barcos e tentar a sobrevivência durante uma década
numa região que se tornara uma zona ecologicamente morta”.
O cinismo da direção da Exxon não teve limites.
Mesmo depois do doloroso desastre, o diretor de produção da companhia, Otto
Harrison, declarou, referindo-se às indenizações reivindicadas pelas
vítimas: “Eu admito; o derramamento de óleo é o que poderia haver acontecido
de melhor para eles”.
Agora, as vítimas vão receber um décimo do que
havia sido estimado como suas indenizações. O juiz da Suprema Corte, David
Souter, escreveu em seu parecer que a destruição causada pela Exxon não
havia sido “em proveito próprio”. A verdade é que a Exxon economizou bilhões
de dólares operando durante 16 anos sem equipamento de segurança, coisa com
a qual havia se comprometido por escrito, sob contrato.
Esse foi o acordo com os moradores da região: a
exploração de uma das regiões mais ricas em petróleo do planeta - que
renderia à empresa, segundo Palast, um trilhão de dólares - seria feita sob
a garantia de proteção ambiental das ilhas Prince William Sound, ricas em
pesca.
Não foi o que aconteceu. O Valdez navegava com o
comandante dormindo e o radar sem funcionar pois estava quebrado havia mais
de um ano no momento do desastre, com pleno conhecimento da companhia. |