|
Transparência
Internacional e suas mentiras contra PDVSA
CALVIN TUCKER*
Como você chamaria uma organização que, ao ser
surpreendida fazendo declarações falsas, se recusa a responder perguntas
legítimas ou iniciar uma investigação? Transparência Internacional!
Os fatos são irrefutáveis. No último mês de
abril, a Transparência Internacional (TI) publicou um relatório no endereço
eletrônico - www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/promoting_revenue_transparency
- sobre a indústria petroleira global em que se hierarquizaram as empresas
petroleiras de acordo com a sua alta, média ou baixa transparência. A
companhia petroleira estatal venezuelana PDVSA recebeu a qualificação mais
baixa, sendo acusada de não produzir balanços contáveis com a auditoria
adequada e de ocultar informação financeira básica sobre recursos, impostos
e regalias.
O governo de Chávez manifesta que usa os
recursos provenientes da atividade petroleira para proporcionar sistemas de
educação e saúde gratuitos à população venezuelana, e para melhorar as
condições de vida da classe trabalhadora e dos mais pobres. A oposição
rebate que Chávez trabalha mal com a empresa petroleira e manipula os livros
para encobrir a ineficiência e a corrupção.
Não é surpresa que o relatório de TI tenha sido
utilizado pela oposição como evidência de suas afirmações. PDVSA é
considerada por eles “uma empresa de baixa transparência”, e apesar de que
TI não diz diretamente que a PDVSA seja corrupta, alega que as companhias
que ocultam ao público informação básica “deixam as portas abertas à
corrupção”.
Mas o relatório da TI estava equivocado. Não só
equivocado: estava completamente, absolutamente e evidentemente equivocado.
Toda a informação que TI alegava estar sendo ocultada pela PDVSA estava
disponível em seus relatórios financeiros e contáveis, e era além disso
acessível ao público no portal web da PDVSA (www.pdvsa.com) e na imprensa.
O envolvimento financeiro da Transparência
Internacional com as empresas petroleiras se remonta há muito tempo atrás.
“TI reconhece com agradecimento as generosas contribuições de ... Shell e
ExxonMobil,” diz TI em seu portal. A “generosa patrocinadora” ExxonMobil não
é precisamente amiga do governo socialista venezuelano. No início do
presente ano iniciaram uma ação contra PDVSA numa corte de Londres, em
tentativa de congelar suas contas no estrangeiro, e perderam.
Como é que uma organização não governamental que
se diz “não parcializada” (que também recebeu um milhão de libras esterlinas
do governo britânico o ano passado) pode equivocar-se tanto?
A única organização que podia oferecer uma
resposta definitiva mantém um muro de silêncio.
Em 14 de maio de 2008 liguei para o escritório
central da Transparência Internacional em Berlim e falei com a sua
encarregada “senior” de imprensa, una dama de nome Gypsy Kaiser. A senhora
Kaiser insistiu em que seu relatório era preciso e que a PDVSA tinha feito
pública sua informação contábil só depois de que o relatório de TI foi para
a gráfica.
Chequei as datas: a senhora Kaiser estava
equivocada. A informação “faltante” tinha sido publicada pela PDVSA vários
meses antes, em seu informe de 2006, e podia ser encontrada também nas suas
contas de 2007 recentemente publicadas. Liguei novamente para a Sra. Kaiser
e deixei duas mensagens em sua secretária eletrônica. Minhas ligações não
foram respondidas.
Dias depois escrevi uma matéria - http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/may/22/seeingthroughtransparencyin
- para a seção “Comment is free” do jornal The Guardian, desmascarando o
relatório do TI. Durante as investigações que realizei encontrei-me com
algumas coisas simpáticas, e outras muito preocupantes.
O simpático foi uma fotografia do presidente da
PDVSA, Rafael Ramírez, segurando em suas mãos uma cópia do relatório
financeiro que continha toda a informação que, segundo TI, não existia.
O preocupante foi achar um documento feito
público sob a Ata de Liberdade de Informação (FOIA) no qual se revelava que,
durante o breve golpe de Estado de abril de 2002, uma dama de nome Mercedes
de Freitas tinha enviado um correio eletrônico à fundação do governo
norte-americano “National Endowment for Democracy” (NED) defendendo o recém
instalado governo de Carmona e sua ditadura. Naqueles tempos, a senhora de
Freitas era a diretora de uma organização de oposição financiada pela NED
chamada “Fundación Momento de la Gente”, e agora é chefa do escritório da
Transparência Internacional na Venezuela, e segundo TI é ela que compilou os
dados sobre PDVSA.
Liguei novamente para a Sra. Gypsy Kaiser, e
perguntei-lhe se tinha lido meu artigo. Respondeu que sim. Quis saber se a
TI ia retirar seu relatório incorreto e iniciar uma investigação sobre a
conformação parcializada de seu escritório na Venezuela. A senhora Kaiser
declinou de me informar a respeito, e por sua vez me solicitou que lhe
enviasse minhas perguntas por escrito. O fiz.
Depois de dois dias mais de silêncio, liguei
para o chefe da senhora Kaiser, André Doren, diretor de comunicações.
Disse-me que tinha seu pessoal trabalhando nas respostas, e prometeu me
ligar no dia seguinte.Não o fez. Enviei-lhe um correio eletrônico lhe
perguntando o porquê. Não me respondeu. Pressumivelmente estava demasiado
ocupado expondo organizações opacas.
Outra semana passou, e ainda sem respostas da
TI. Tentei contatar seu escritório regional para as Américas. Uma
funcionária me disse que eles “respaldavam seu relatório”. “Mesmo estando
equivocado?, perguntei. “Essa é a opinião deles”, me respondeu. “Mas a
informação que vocês dizem que não existe está disponível”, disse-lhe. “Fale
com o nosso departamento de imprensa”, me recomendou.
Apesar de meu forte sentido de “déjà vu”,
telefonei para o escritório de imprensa e falei outra vez com Gypsy Kaiser.
Ela estava visivelmente incomodada: “Ligar para nossos empregados é
inapropriado”, me cobrou como uma professora de escola iracunda. “Mas é que
você não responde minhas perguntas”, protestei. “O faremos”, me respondeu.
“Mas quando? Já esperei três semanas.”
“Não vou lhe dar datas. Só lhe digo que será
mais cedo que tarde.”
Uma semana mais e ainda estou esperando.
Obviamente sua definição de “cedo” é minha definição de “tarde”. A
Transparência Internacional não gosta de responder perguntas, mas eu tenho
mais uma: Não será hora de mudarem de nome?
*Calvin Tucker é co-editor do site inglês 21st Century
Socialism, onde publicou o presente artigo no dia 23 de maio, com o título:
“O muro de silêncio da Transparência Internacional” |