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Remessa de lucros e câmbio adverso provocam déficit nas contas externas
brasileiras
As contas externas tiveram um déficit de US$
10,757 bilhões no primeiro trimestre, o pior resultado desde 1947, quando o
Banco Central iniciou o registro de dados das transações correntes (balança
comercial, serviços e rendas e transferências unilaterais).
A título de comparação, essa conta apresentou um
superávit de US$ 241 milhões nos três primeiros meses no ano passado.
“O resultado foi influenciado de maneira
expressiva pelo resultado comercial e pelas remessas de lucros e dividendos”,
reconheceu o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.
Com efeito, o superávit da balança comercial
apresentou uma queda de mais de 200%, descendo de US$ 8,720 bilhões para US$
2,835 bilhões, no período.
A queda no saldo do comércio exterior vem
ocorrendo em função do câmbio adverso, provocado pelo juros altos, o que tem
levado a que as importações cresçam em um ritmo maior do que as exportações.
Do lado das remessas de lucros e dividendos
houve um crescimento de 118,5% no primeiro trimestre deste ano, ante o mesmo
período de 2007: saltou de US$ 3,965 bilhões para US$ 8,662 bilhões.
Esse
expressivo aumento das remessas de lucros das filiais das transnacionais para
suas matrizes foi puxado pelos bancos com US$ 2,228 bilhões, seguido de veículos
automotores com US$ 1,176 bilhão e metalurgia, US$ 804 milhões. Além de apontar
uma acentuada desnacionalização da economia, o aumento das remessas de lucros se
dá em função das transnacionais estarem aproveitando um momento de depreciação
do dólar e também para compor suas contas no exterior, em um momento
desfavorável por conta da crise da economia norte-americana. |