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Sidnei, um bom exemplo
Ariovaldo Izac
Aníbal,
ex-Flamengo na década de 50, diz que foi o primeiro goleiro a defender pênalti
cobrado por Pelé, em 1962, quando defendia o Comercial de Ribeirão Preto (SP).
Pelé foi imitado por tanta gente nas paradinhas a ponto de a dona Fifa ordenar
que a International Board interviesse e proibisse aquilo que se julgava um
abuso. Posteriormente, a medida foi revista e hoje observa-se uma “enxurrada” de
boleiros aplicarem a tal paradinha para confundir goleiros.
Heitor, um goleiro de razoável para bom do Corinthians, na década de 60, também
foi um dos primeiros a defender pênalti cobrado por Pelé. Em seguida, numa
partida em Araraquara (SP), diante da Ferroviária, o ‘rei’ chutou pênalti para
fora e o goleiro sortudo era Rosan. Por capricho, uma semana depois, dia 18 de
novembro de 1964, o goleiro Sidnei Polly - que jogava no Guarani - defendeu um
pênalti cobrado igualmente pelo melhor jogador do mundo, que, paradoxalmente,
perdeu três pênaltis em um ano.
LENDÁRIO
E
Sidnei pegou pênalti numa quarta-feira de gala do Bugre, que sapecou 5 a 1 no
lendário time santista, em jogo disputado no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas
(SP). Na época, o Guarani tinha um ataque de moleques formado por Joãozinho,
Nelsinho, Babá e Carlinhos, coadjuvados pelo experiente meio-campista Américo
Murolo, um professor em campo para os meninos.
Dessa leva, o ponteiro Carlinhos e Sidnei já se foram. Carlinhos foi
assassinado covardemente em sua residência ao reagir a um assalto, enquanto
Sidnei morreu no dia 17 de janeiro de 2000.
Sidnei havia desbancado o regularíssimo Dimas Monteiro (também já falecido) e
suas atuações destacadas com a camisa do Guarani serviram para despertar
interesse do Flamengo, para onde se transferiu em 1969 e correspondeu
plenamente. Quando treinador da Seleção Brasileira, o técnico João Saldanha (já
falecido) cogitou convocá-lo às Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970.
Depois, Sidnei passou pelo Corinthians com a costumeira regularidade, num
período em que a cobrança aos jogadores havia sido intensificada pelo jejum de
títulos. E a seqüência da carreira foi no futebol matogrossense, no Operário de
Campo Grande, até que em 1975, no final de carreira, voltou ao Guarani para
substituir Sérgio Gomes.
Em
1976, na reserva de Neneca, decidiu encerrar a carreira de jogador, sem contudo
pendurar as chuteiras. Abraçou, incontinenti, a carreira de preparador de
goleiros, uma atribuição em comissão técnica que começou com Valdir Joaquim de
Moraes, no Palmeiras.
TAMPÃO
Sidnei sempre foi leal aos membros de comissão técnica. Quando caía treinador
no Bugre ou outros clubes que trabalhou, era sempre chamado para ser o técnico
tampão, e nunca se prendeu ao cargo. Sua praia era corrigir falhas de goleiros e
prepará-los adequadamente. Assim, prosseguiu a carreira no Rio Branco de
Americana (SP), Ponte Preta e União São João de Araras (SP), último clube que
trabalhou.
Sidnei morreu aos 57 anos de idade, e um ano antes de partir ainda exibia uma
vasta cabeleira grisalha. Tocava uma empresa de produtos para limpeza, esbanjava
energia em freqüentes caminhadas e já havia dispensado os habituais goles de
cerveja por causa da hepatite.
Sidnei morreu deixando uma história de quem soube ser leal e transparente num
mundo promíscuo como é o do futebol.
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É jornalista em Campinas e colaborador do HP |