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Regulamentação
da TV paga e importância dos meios públicos de comunicação foram destaque em
debate no Fórum do Mercosul
A
importância da TV pública e a democratização dos meios de comunicação foi um
dos principais temas debatidos do II Fórum Social do Mercosul, que ocorreu
entre os dias 26 e 28 de abril na Universidade Federal do Paraná, em
Curitiba.
Com a presença de
cerca de 300 pessoas, o debate reuniu, entre os palestrantes, o diretor de
redação do jornal Hora do Povo, Carlos Lopes, o coordenador da Telesur, Beto
Almeida, o vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ),
Celso Schoreder, o sociólogo e jornalista Laurindo Leal Filho, e também o
senador boliviano Abrão Cueller Araújo.
“Existe uma
ditadura da mídia. E existe porque há um monopólio, que é sempre o monopólio
da propriedade. Alguns têm e outros não”, afirmou Carlos Lopes ao destacar
que no momento trava-se uma batalha decisiva no Congresso Nacional.
“Decisiva inclusive, para o destino da TV aberta, apesar dessa batalha não
ser em torno da TV aberta. É o projeto de Lei nº 29, que é a regulamentação
da TV paga”.
De acordo com
Carlos Lopes, a principal questão está em torno do substitutivo do deputado
Jorge Bittar (PT-RJ), em que não há limite para o capital estrangeiro na
propriedade da TV por assinatura. Carlos explicou que o projeto atual admite
que até 49% da propriedade da TV por assinatura seja estrangeira, permitindo
que as grandes multinacionais realizem manobras ilícitas para controlar
empresas no Brasil.
“No entanto,
ao propor que 100% da propriedade da TV por assinatura possa ser
estrangeira, na verdade ele está legalizando a situação de quem trapaceou a
lei”, afirmou.
Ainda em relação
ao substitutivo, Carlos Lopes destacou a questão das cotas: “No início ele
estabelecia duas cotas básicas que representavam 22% de produção nacional
sobre espaço qualificado, isto é, filme, série e novela. Houve uma campanha
tremenda contra as implementação das cotas e a reação do deputado Bittar foi
fazer outro substitutivo reduzindo-as. No momento, a produção nacional
independente, que no primeiro projeto era 14,5%, está reduzida no projeto
atual a 0,78%”.
“O problema
disso”, conclui, “é que, se for aprovado, é evidente que irá atingir a TV
aberta. E nós sabemos que o monopólio estrangeiro é muito pior”.
Para Beto Almeida,
“não vejo nenhuma possibilidade de caminharmos nesse processo de integração
latino-americana, se não fizermos um integração cultural e informativa”. “E
isso não pode ser feito pelo mercado”.
Destacando as
medidas dos governos do Brasil, Venezuela, Bolívia, Argentina, Equador, de
criar meios públicos e estatais de comunicação, em contraponto à atuação do
mercado, Beto ressaltou que “é da natureza do imperialismo concentrar cada
vez mais e levar a humanidade às guerras, inclusive a partir de mentiras tão
cínicas, quanto criminosas, como fizeram inventando que o Iraque era uma
ameaça à humanidade para justificar um banho de sangue”.
“É da
natureza do imperialismo mentir, manipular e rapinar direitos, riquezas,
história, cultura”, disse ainda Beto, ao relatar que músicas brasileiras são
levadas para o exterior e transformadas em propriedades estrangeiras. “A
música Tonga já não mais pertence à psicografia brasileira porque, vendidas
as partituras para uma empresa multinacional, são transformadas em
propriedade de autores norte-americanos. Outro exemplo é Travessia, de
Fernando Brant e Milton Nascimento. Na música, registrada como composição
norte-americana, Milton fez apenas linha melódica, segundo os novos
proprietários nos Estados Unidos. É rapina total”, denunciou Beto Almeida.
JÚLIA CRUZ |