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Processo-farsa
contra Tareq Aziz tem início com a defesa no exílio
O principal
advogado de Tareq, Badie Aref, não pôde ir à sessão inicial. Aref teve que
exilar-se na Jordânia após quase ser seqüestrado na porta do tribunal por um
esquadrão da morte. O comando ianque da ocupação negou-se a lhe dar
segurança
A mais conhecida liderança iraquiana no mundo inteiro - além do
próprio presidente Sadam -, seu chanceler e vice-primeiro-m inistro,
Tareq Aziz, foi levado ao tribunal da ocupação em Bagdá, na terça-feira dia
29 de abril, sob a falsa acusação de ter mandado executar 42 mercadores que
especularam com preço dos alimentos quando o povo iraquiano sofria com o
bloqueio, em 1992, e o governo havia decretado congelamento dos gêneros
essenciais. Mais sete líderes iraquianos estão sendo submetidos à encenação
dos invasores e seus fantoches. Após horas de protelações, e breve sessão de
abertura, foi anunciada interrupção até 20 de maio.
Como assinalou o site “Al Moharer”, o “julgamento” de Tareq “não é
senão o julgamento da diplomacia árabe” que não se dobrou por três décadas,
a tentativa de submeter “o gigante Tareq Aziz”. Na fase anterior do
tribunal-farsa – “Anfal” -, à qual compareceu como testemunha de defesa, ele
afirmou com sua costumeira altivez. “Tive a honra de trabalhar com o herói
Sadam, responsável pela unidade e soberania do Iraque”. Diante da honrada
declaração, o fanto che
de plantão tentou silenciá-lo com ameaças. “Já sou um prisioneiro. O que
mais pode me fazer?”, retrucou o líder iraquiano. Tareq tinha outro traço
distintivo – na sua condição de cristão, e segundo nome da liderança
iraquiana, era o símbolo da amplitude da revolução iraquiana, capaz de unir
muçulmanos sunitas e xiitas, cristãos, curdos, turcomanos e todos os setores
integrantes do país.
O filho de Tareq, Ziad, relatou em entrevista que seu pai enviou uma
mensagem à família através de um advogado: “Não se preocupem comigo, estou
firme”. “Todos sabem que ele não tem nada a ver com o caso, mas o governo
[fantoche] o acusou por causa de seu nome, porque ele é Tareq Aziz”, afirmou
Ziad, acrescentando que durante cinco anos de cativeiro Tareq jamais fora
acusado de nada. “Meu pai era o responsável pelas relações exteriores do
Iraque com outros países, e não tinha relação com o caso dos mercadores”,
assinalou.
Para criar algum ar de verossimilhança ao “julgamento”, montaram uma
verdadeira salada de acusados, que inclui o general Ali Al Majid, que
comandou o combate às tropas invasoras no sul em 2003 e a frente norte
contra o Irã na década de 80; o presidente do Banco Central Essam Rashid
Kuwaish; o ministro das Finanças Ahmed Hussein Khudier; o ministro do
Interior Watban Ibrahim Al Has-san; o diretor de segurança pública
(1991-1995) Sabawi Ibrahim Al Hassan; o dirigente do Conselho da Revolução,
Mizban Khudier Hadi; e o secretário de Sadam, Abid Hamid Mahmud.
SEM
SEGURANÇA
O principal advogado de Tareq, Badie Aref, anunciou que irá
defendê-lo, se tiver garantida s ua
segurança. Ele se viu forçado a se exilar na vizinha Jordânia, após quase
ser seqüestrado na porta do tribunal na Zona Verde por um esquadrão da morte
e, em seguida, receber notificação do comando americano que “não poderia
garantir” sua vida. Mais de cinco advogados de Sadam já haviam sido, até
então, assassinados. Foi Aref quem traçou um quadro das condições
carcerárias: um local “indigno de um cão”, medindo dois metros por um metro,
e do qual Tareq só podia sair por breves períodos. Durante meses, o líder
iraquiano teve negado tratamento médico, apesar da gravidade de seu estado
de saúde, que culminou em um ataque cardíaco.
Com a acusação lançada contra Tareq, o governo fantoche amplia a
escória que tem entronizado com mais esses 42 especuladores. Que, quando o
Iraque se erguia após a agressão de 30 países de 1991, e tinha de fazer
frente ao infame bloqueio, quiseram se locupletar à custa da fome das
crianças iraquianas. Mas foram impedidos, levados a julgamento de acordo com
a lei do país, condenados, executados e tiveram seus ilegítimos bens
confiscados. Como registrou o presidente da Associação de Amizade
Franco-Iraquiana, Gilles Munier, decisões de comércio interno e sentenças
judiciais não estavam “na esfera de atribuições de Tareq, voltadas para as
relações internacionais”. Mounier, inclusive, estava em Bagdá quando o caso
ocorreu.
ANTONIO PIMENTA
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