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Juiz absolve
em Nova Iorque policiais que mataram negro desarmado com 50 tiros
Foram absolvidos por um juiz na cidade de Nova
Iorque três policiais que mataram com mais de 50 tiros o jovem negro Sean
Bell, que acabava de comemorar sua despedida de solteiro, em novembro de
2006. O veredicto anunciado na sexta-feira, dia 25, deixou inconformados
seus familiares, e também os defensores dos direitos civis e religiosos,
encabeçados pelos reverendos Jesse Jackson e Al Sharpton.
Centenas de pessoas que esperavam o resultado na
sede do tribunal estadual protestaram contra a absolvição dos agentes os
acusando de “assassinos, assassinos!” e “KKK, KKK!”, em referência ao
movimento racista Ku Klux Klan.
Só um dos policiais, o detetive Michael Oliver,
deu 31 dos 50 disparos que atingiram ou caíram perto do lugar onde morreu
Sean, no bairro Jamaica do distrito de Queens.
Na madrugada do 25 de novembro – horas antes da
cerimônia de seu casamento –, o jovem Sean Bell saiu com alguns de seus
amigos do clube Kalua, tendo seu carro interceptado por cinco policiais que
estavam em um veículo comum e não uma viatura. Assim, não tinha como saber
que eram policiais. Os agentes abriram fogo contra o veículo e depois
alegaram ter achado que “talvez ele estivesse armado e atirasse em lugar de
atender as ordens”. Sean não estava armado e não havia qualquer arma no
carro.
Teoricamente, os agentes absolvidos pela via
judicial, ainda podem ser sancionados pelo Departamento de Polícia. “As
autoridades federais devem começar uma investigação sobre esse caso, mas
acredito que só o farão se a sociedade o exigir com firmeza, afinal não
podemos esquecer que em 1999 ocorreu o mesmo em outro conflito com a
população negra quando um imigrante africano, Amadou Diallo, foi assassinado
por agentes policiais com 41 disparos”, disse o reverendo Sharpton.
Nicole Paultre, com quem Sean iria se casar, e
com quem já tinha duas filhas, afirmou que “é preciso saber por que
assassinaram Sean. Minha família merece saber. A defesa só mentiu, falaram
que estavam bêbados, que estavam armados, que não obedeceram à polícia e
nada disso era verdade”. |