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Azenha visita
Mariscal Estigarribia e não encontra base norte-americana
Não há nenhuma base dos EUA no Paraguai, apontou
em extensa e oportuna reportagem na “Carta Capital” o jornalista Luiz Carlos
Azenha, que se deslocou até Mariscal Estigarribia, a 500 km da capital, para
esclarecer a questão. Ele visitou o quartel do Terceiro Corpo do Exército
paraguaio, que abriga “o misterioso aeroporto do Chaco”. “Não há sentinela
nem qualquer impedimento”, descreveu Azenha, acrescentando que “cabras,
cavalos e bois pastam no terreno”. “Um quilômetro além do portão principal
da base, o improvável, uma pista de concreto gigante. E vazia. Dois hangares
gigantes. E vazios”. Na edição anterior, o HP publicou errata sobre a
questão.
PISTA
Azenha percorreu de automóvel a pista e
constatou que tem “3,5 mil metros de extensão por 40 de largura”, em
concreto. O aeroporto é administrado pela Aeronáutica Civil, mas não há
qualquer pouso ou decolagem previstos para as próximas horas, dias ou meses,
ou linha regular. Não há o menor vestígio de qualquer soldado dos EUA. A
suposição de uma base capaz de “alojar 20 mil soldados” dos EUA vem correndo
mundo desde junho de 2005, a partir de uma reportagem do jornal argentino
“El Clarín” sobre a concessão [que existiu] de imunidade a soldados
americanos para manobras militares no país. “Um enorme porta-aviões no meio
do deserto”, com uma pista de “3,8 mil metros de comprimento, 80 de largura”
e em “perfeito estado”, descreveu meses depois.
ENGENHARIA
O jornal atribuiu sua construção a “técnicos dos
EUA” na metade dos anos 80. Tese que foi desmentida a Azenha por um coronel
da ativa e engenheiro militar, Teófilo Marim: “foi tocada pelo corpo de
Engenheiros do Exército paraguaio, com assessoria holandesa”. Desmentido
semelhante foi feito pelo porta-voz paraguaio, coronel Elio Antonio Flores,
e reproduzido pelo site do Departamento de Estado. Segundo Marim, “os 35
centímetros de profundidade da pista de concreto permitem a aterrissagem do
C-5 Galaxy”, o maior avião cargueiro dos EUA.
Naturalmente, dado o intenso ritmo de fabricação
de mentiras que lhes é peculiar, os desmentidos do Pentágono e do
Departamento de Estado não gozam de muita credibilidade. Mas não havia
sentido, do ponto de vista das necessidades militares dos EUA naquele
momento, nos anos 80, em construir um pista desse porte em meio ao nada, no
Chaco. Não existiam Chávez, Morales. Fazem mais sentido as versões de que
Stroessner pensou em criar uma zona franca no Chaco.
Azenha também se deteve sobre outras denúncias.
Como a de que Bush pai seria dono de “70 mil hectares no Chaco” e W. Bush,
de mais “100 mil hectares”. O que é certo é que um dos irmãos de Bush, Neil,
esteve no Paraguai em fevereiro deste ano e foi recebido por Nicanor Duarte.
Neil viajou para participar de um evento de uma empresa de fachada da Igreja
do Reverendo Moon, que “controla um minipaís no Chaco, 600 mil hectares”.
ESTOPIM
Mas, como assinalou Azenha, “o estopim das
especulações” foram as 13 operações conjuntas envolvendo militares dos EUA,
o exército paraguaio e a polícia, que duraram “18 contínuos meses”, de junho
de 2005 a dezembro de 2006. Tais manobras foram precedidas de intensos
contatos no mais alto nível: encontro de Nicanor Duarte com W. Bush em
Washington; visita em março de 2004 do chefe do Estado Maior americano,
Richard Meyers, a Assunção; e finalmente, o desembarque do chefe do
Pentágono, Donald Rumsfeld. Quaisquer que tenham sido as pretensões do
governo Bush com tais visitas e demoradas manobras, o fato é que não há uma
base dos EUA no Paraguai. E agora, com a eleição do presidente Lugo, tal
possibilidade tornou-se ainda mais inviável.
A.P. |