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Dilma demole oposicionistas em depoimento no Senado
PSDB e Dem
meteram o pé na jaca. Ministra respondeu tudo e a todos na Comissão
A ministra Dilma Rousseff não deixou sem
resposta nenhuma questão levantada pela oposição em sua apresentação à Comissão
de Infra-estrutura do Senado, na quarta-feira. Respondendo a afirmação do
senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) de que haveria oito versões do governo sobre o
suposto dossiê, ela foi categórica: “na Casa Civil só há uma informação. Não há
dossiê nenhum. O que há é um banco de dados, independente das versões
apresentadas por V. Excelência”. “Os nossos dados estão no Portal da
Transparência porque não são sigilosos ou privativos nossos. Jamais aceitamos
que havia um dossiê feito a meu mando ou de quem quer que seja. Eu acho que é
fundamental que se saiba como aconteceu esse vazamento dentro da Casa Civil.
Quem, quando e a quem interessa esse vazamento, é isso o que importa saber”’,
afirmou a ministra.
O senador Arthur Virgílio retomou a palavra e
disse que gostaria mesmo era de ter falado sobre as obras do PAC. Ao senador
Álvaro Dias (PSDB-PR), que passou informações sigilosas sobre as despesas do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a revista Veja, a ministra afirmou
que a prioridade das investigações da Casa Civil e da Polícia Federal é
descobrir a autoria do vazamento. O senador tucano tentou se esquivar de seu
delito de vazar as informações, afirmando que a elaboração da peça é que era
crime. Dilma respondeu que as informações foram retiradas do banco de dados e
passadas para a imprensa. Ela disse que o responsável pelo vazamento será
descoberto.
O senador Agripino, que já havia sido tosquiado
logo no início ao tentar provocar a ministra em relação à sua ação na luta
contra a ditadura (ver matéria ao lado), tentou novamente insistir na existência
do dossiê. Perguntou quando e de quem teria sido a ordem para a sua elaboração.
“Fazer o banco de dados era uma obrigação da Casa Civil”, disse. “A decisão pela
transparência foi tomada no início deste governo. Nós começamos a fazer o banco
de dados em 2005. Para facilitar a fiscalização do TCU e para poder prestar
informações pedidas por esta casa”, informou.
Dilma demonstrou ser favorável à tese de
divulgar os dados sigilosos de ex-presidentes da República. “Eu não vejo nenhum
problema em divulgação, em determinado momento, dos dados que antes são
considerados sigilosos. Acho que vai ser aprimoramento nosso procurar divulgar
esses dados. Isso é questão do Gabinete de Segurança Institucional, mas defendo
que com a passagem do tempo, ao não comprometer mais a segurança, eles sejam
divulgados”, afirmou.
Sobre as afirmações de Agripino e Álvaro Dias de
que o formato diferente dos dados era a prova da existência do dossiê, Dilma
explicou que, no processo de confecção de um novo módulo de despesas, foi
preciso confeccionar uma planilha Excel para poder migrar do antigo modelo para
o novo. O formato para os dados do cartão corporativo era diferente daquele dos
sistemas de gastos anteriores. Por isso era necessária a planilha Excel. Foi
essa planilha de transição que foi vazada para a imprensa pelo senador Álvaro
Dias.
Diante da desastrosa intervenção de Agripino,
integrantes da oposição preferiram evitar um desgaste ainda maior. O senador
Demóstenes Torres (DEM-GO), por exemplo, improvisou uma manifestação de
solidariedade a Dilma, revelando sua participação no Comitê Brasileiro de
Anistia aos 16 anos, em 1976, apesar deste comitê só ter aparecido na cena
política 2 anos depois desse ano.
Ao final da explanação, o líder do governo
Romero Jucá (PMDB-RR) avaliou como muito positiva a participação da ministra.
Ele disse que ela saiu muito fortalecida do Senado. “O governo gostou muito, mas
a oposição saiu daqui com um grande problema; a ministra Dilma se fortaleceu
administrativa e politicamente. Ela respondeu tecnicamente sobre o banco de
dados, é vítima desse processo e foi aprovada com louvor”, disse Jucá. “Ela era
uma referência administrativa. A oposição a colocou no debate político, e agora
ela virou uma referência política também”, acrescentou. A opinião positiva sobre
a ministra foi compartilhada por vários senadores que lotaram a Comissão do
Senado.
O desempenho da ministra foi elogiado também por
vários jornalistas que acompanharam o depoimento. Para eles a oposição “deu um
tiro no pé”. “Dilma arrasou a oposição”, foi a chamada de Paulo Henrique Amorim
no site Conversa Afiada. Em sua opinião, a ministra revidou à altura a
provocação de Agripino. “Rousseff atingiu o ponto certo da resposta, com firmeza
e serenidade, e colocou o senador na posição histórica que ocupam os que
acionavam a maquininha do choque elétrico”, disse Amorim. Até mesmo Ricardo
Noblat, colunista do Globo Online, teve que reconhecer: “Dilma tem uma dívida
impagável com José Agripino Maia”. “Ela entrou na sala da Comissão como suspeita
de ter encomendado um dossiê e saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi
presa e torturada por agentes da ditadura, e mesmo assim não dedurou ninguém”. O
locutor do Jornal da Globo, também teve que reconhecer: “Dilma deu um show”.
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