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Comissão freia Bittar e adia votação do PL-29
O relatório do deputado Jorge Bittar sobre o PL-29
sofreu mais um revés na última quarta-feira devido a um requerimento apresentado
por Barbosa Neto (PDT-PR), subscrito por outros 18 parlamentares, solicitando o
adiamento da votação e a abertura de prazo para a apresentação de novas emendas.
A intenção do relator era ler e votar o seu
relatório na última quarta (7), mesmo diante das alterações feitas em seu último
parecer, divulgado no dia 30 de abril. Também ficou decidido que o PL-29 –
projeto que trata do setor de TV por assinatura e de audiovisual – será mesmo
remetido para a apreciação e votação no plenário da Câmara, eliminando o seu
caráter conclusivo. Esta foi mais uma derrota do relator que tentava evitar que
o projeto passasse pela avaliação do conjunto da Casa.
Em seu relatório, Bittar propõe abrir todo o
setor de TV paga para o capital estrangeiro. Como adereço, o deputado incluiu no
projeto um sistema de cotas para a produção de audiovisual nacional, tão
insignificantes que não mudam quase nada a quantidade de canais que já são
oferecidos atualmente pelas operadoras, como esclarece um estudo do Intervozes
(leia matéria abaixo).
Como apontamos na última edição, o deputado se
utiliza de uma série alegações para propor a abertura total do setor para o
capital externo. As duas principais são as necessidades de atualizar a
legislação frente o avanço tecnológico e a de criar concorrência para baixar o
preço.
Em sua exposição, Bittar disse que a legislação
que rege a TV a cabo, a TV via satélite e a transmissão via microondas (MMDS)
são distintas. A primeira é regrada pela Lei do Cabo, que proíbe estrangeiros de
possuírem mais de 49% das ações, e as demais por portarias, que permitem o
controle de capital internacional. Na opinião do deputado, urge unificar a
regulamentação. O que ele propõe então? Formatar a nova legislação não com base
na lei e sim com o que há de pior, as portarias. Isto é, ao invés de estender a
Lei do Cabo para os demais setores – que como o nome diz, é uma lei, debatida e
votada no Congresso, e tendo como princípio a defesa dos interesses nacionais –,
o parlamentar pretende transformar o conteúdo das portarias, editadas e paridas
pelo governo neoliberal, em lei.
Em relação à concorrência, a emenda é pior
ainda. A ampliação desta, a redução dos preços e o aumento do número de
assinantes, se daria, segundo ele, com a entrada das teles estrangeiras e demais
grupos multinacionais na distribuição. Acontece que o setor só está paralisado,
caro e com número reduzido de assinantes porque grupos estrangeiros e teles de
outras nacionalidades monopolizam todo o segmento de TV paga de forma ilegal ou
amparadas por portarias.
Todos sabem que o verdadeiro dono da NET é a
Telmex e que a TVA é da Telefônica. Isso acontece através de uma ilegalidade
assombrosa, sob os olhos da Anatel. Já a Sky e DirecTv pertencem a Murdock.
Portanto, afirmar que a entrada das teles e grupos estrangeiros irá gerar
concorrência é de uma má fé gigantesca, pois já são elas que monopolizam e
engessam a TV paga. A única coisa que o projeto mudará será a nomenclatura ao
permitir que a Telefónica e a Telmex dispensem seus cítricos (Grupo Abril e
Globo respectivamente).
As artimanhas de Bittar não param por aí. Para
impedir que os radiodifusores possam controlar teles, o deputado colocou um
artigo na lei, vedando que teles e grupos estrangeiros possuam mais de 30% do
capital dos radiodifusores. No entanto, os estrangeiros já são proibidos de
deter mais de 30% de TVs e rádios pela Constituição. Isso demonstra uma certa
ojeriza do parlamentar a grupos brasileiros, pois ele apenas está proibindo que
teles nacionais – no caso só existe uma – participem da radiodifusão, e que os
donos de TV e rádio sejam donos de teles. Não o contrário.
Como bem definiu o presidente do grupo
Bandeirantes, Jorge Saad, o deputado Bittar, defende que precisa falar uma
língua estrangeira para comprar uma tele no Brasil.
ALESSANDRO
RODRIGUES
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