|
Centrais e aposentados se
unem por política de valorização de benefícios
Seminário realizado em São Paulo reuniu lideranças da CUT, Força, CGTB e UGT,
Sindicatos nacionais de aposentados, Anfip, Dieese e Ministério da Previdência
Representantes
da CUT, CGTB, Força, UGT e dos sindicatos nacionais de aposentados e
pensionistas realizaram um seminário terça-feira, em São Paulo, para debater uma
política de recuperação do poder de compra de todos os benefícios. Dos 25
milhões de aposentados e pensionistas do país, 17 milhões têm sido beneficiados
com os crescentes aumentos do salário mínimo, reajustados pela inflação mais a
variação do PIB, que neste ano alcançou 9,2%, contra apenas 5% de reposição dos
8,1 milhões que recebem acima do mínimo. Mas, independente dos avanços do último
período, os proventos do conjunto do segmento continuam muito aquém do que eram,
principalmente devido ao violento arrocho a que foram submetidos no período
neoliberal.
JUSTIÇA
“Nos manifestamos em favor da negociação e o estabelecimento de uma política de
ganhos reais, voltada à recuperação do valor de compra dos benefícios
previdenciários. Assim como foi negociado pelas centrais sindicais e aplicado
pelo governo ao salário mínimo, deve se estabelecer o mesmo em relação às
aposentadorias, acima do piso nacional”, afirma a nota conjunta das entidades.
“Em defesa da justiça social, propomos o aumento dos salários-benefícios
vinculado ao reajuste do salário mínimo, tendo como limite o teto da
Previdência. Temos a convicção de que este dispositivo garantirá um aumento
significativo dos benefícios, ao mesmo tempo em que permitirá a continuidade da
política de valorização do mínimo. Comprometidos com a materialização destas
bandeiras, conclamamos os companheiros e companheiras de todo o país a se
somarem nesta caminhada, não só pelo presente e pelo passado, mas acima de tudo
pelo futuro, pelas novas gerações”, esclarece o documento.
Na
avaliação do presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados,
Pensionistas e Idosos (Sintapi/CUT), Epitácio Luiz Epaminondas (Luizão), “o
Seminário serviu para aprofundar o diálogo e acordar uma ação comum entre as
entidades, o que é decisivo para que nos façamos ouvir pelas autoridades em
Brasília”. “Somos milhões, e exigimos respeito. O que não dá para admitir é que
existam recursos para pagar juros aos especuladores, mantendo o superávit
primário elevado, e não haja dinheiro para valorizar pensões e aposentadorias.
Se o governo ampliou a arrecadação, se começou a receber dos sonegadores, é
justo que uma parcela fique com a Previdência, para fortalecer seu caráter
público, para fazer justiça social”, declarou Luizão.
O
representante da Associação Nacional dos Fiscais da Previdência (Anfip),
Floriano José Martins, ressaltou que é preciso enfrentar o debate sobre a
situação real da instituição. “A Previdência Social nunca foi deficitária como
alguns setores propalam por aí, ela apresenta crescimento do seu superávit todos
os anos. Assim, a Previdência tem todas as condições de atender os anseios de
quem tanto contribuiu para o sucesso deste país”, esclareceu.
De
acordo com o presidente do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas da Força
Sindical, João Batista Inocentini, é completamente inadmissível a aplicação tão
somente do INPC como índice de reajuste para os aposentados que ganham acima de
um mínimo, pois contribuíram ao longo da sua vida com valores muito superiores,
que foram arrochados com o passar dos anos. “Com a nossa unidade, acabaremos
com a herança de injustiças sociais que massacram pessoas que deram a própria
vida pela construção e desenvolvimento da nação”, declarou.
Segundo o diretor do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas da Central Geral
dos Trabalhadores do Brasil (Sindapb/CGTB), Aloísio Pereira Lima (Ceará), a
principal reivindicação do Seminário é o estabelecimento de uma política de
recuperação das perdas que corroeram os benefícios de 25 milhões de aposentados
e pensionistas, “sem prejudicar a política que reajusta o salário mínimo
nacional, em curso”. “Recuperar o poder aquisitivo do segmento significa
resgatar a nossa dignidade e contribuir ainda mais com o crescimento econômico
do Brasil”, acrescentou Ceará.
O
secretário executivo do Ministério da Previdência, Carlos Eduardo Gabbas, disse
que há um compromisso de negociar com as entidades de aposentados uma política
de reajuste para os benefícios com valor acima do mínimo: “O aposentado deve
brigar para participar do crescimento econômico do país. Há um espaço para
negociar um reajuste composto pela inflação e uma parte do PIB”. |