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Paulo Amaral, o polêmico
Ariovaldo Izac *
Faz
parte da cultura brasileira se “rasgar” elogios quando a referência é feita a um
profissional do futebol que morre. E no caso do treinador Paulo Amaral, morto no
dia 1º de maio, não foi diferente. Houve quem citasse até que ele era querido
pelos boleiros, quando na prática a maioria era avessa aos seus rigorosos
métodos de treinamentos, em época que o jogador torcia o nariz para exercícios
físicos.
Como
treinador, Paulo Amaral era extremamente protocolar com os jogadores. Era
austero. Aplicava metodologia militar, com distanciamento de comandante e
comandados. Ainda como treinador, pode-se dizer que foi um bom preparador
físico. Valia-se basicamente da correria dos times que treinava para alcançar
resultados positivos. Não era dos tais que enxergava o jogo da bola, embora
tenha passado por Juventus e Genoa, da Itália, e Porto, de Portugal, além de
dezenas de clubes brasileiros, essencialmente os do Rio de Janeiro, casos de
Vasco, Botafogo e América.
ALTURA
Paulo Amaral tinha 1,90m de altura e uma compleição física que assustava
boleiros bocudos. Na passagem pelo Guarani, em 1976, durante áspera discussão
com o zagueiro Amaral, só não esgoelou seu atleta por causa da turma do “deixa
disso”. A rigor, consta do histórico do Bugre que procedeu o lançamento do
centroavante Careca numa partida amistosa contra o Matsubara do Paraná, no
Estádio Brinco de Ouro.
Amplos méritos de Paulo Amaral se concentram como profissional de preparação
física. Em 1953, deixou a condição de jogador reserva de Biguá e Bria na equipe
profissional do Flamengo para tomar a sábia decisão de incorporar a comissão
técnica do Botafogo como preparador físico, atividade com início no futebol.
Paulo Amaral foi levado ao Botafogo pelo técnico Sílvio Pirilo, que também
entrou para a história do futebol como o primeiro a convocar Pelé para a Seleção
Brasileira, em 1957. O gaúcho Pirilo, falecido em abril de 1991, também
trabalhou, entre outros clubes, no Fluminense e Palmeiras, e está incluído entre
os maiores artilheiros do Flamengo, com 228 gols.
FORÇA
No
Fogão carioca, Paulo Amaral repetiu os treinos físicos aplicados a militares da
época, na base de peso, para que o atleta tivesse mais força. Em termos de
Seleção Brasileira, foi o pioneiro na função, e comemorou como poucos a
conquista do primeiro título mundial brasileiro em 1958, na Suécia. Com a
bandeira daquele país, comemorou a façanha com uma volta olímpica no Estádio
Rasundo, em Estocolmo, seguido pelos jogadores.
Naquele período e meados da década de 60, a maioria dos clubes não dispunha de
preparadores físicos. A função era acumulada pelos treinadores que programavam
basicamente aquecimento ao grupo antes da prática com bola, como prevenção a
lesões musculares.
Se
antes era comum atleta desfalcar equipes por contusões musculares originadas por
focos dentários infecciosos, hoje tem-se atletas saudáveis, super condicionados,
e com histórico detalhado de condições orgânicas e musculares, podendo-se,
portanto, direcionar trabalho individualizado conforme a circunstância de cada
um.
No
dia do sepultamento de Paulo Amaral, a TV Globo reprisou antiga entrevista com o
profissional que, entre as obviedades, incorreu na velha mania do pessoal do
passado em trocar o “ele” pelo “erre”. De repente, em vez de condição atlética,
falou sobre condição “atrética”.
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