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Projeto na
Câmara pede concessão de anistia póstuma a João Cândido
Aproveitando as
comemorações do Dia da Abolição da Escravatura, 13 de Maio, o ministro da
Igualdade Racial, Edson Santos, solicitou ao presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia, para que seja votado o projeto de lei 7198/2002 que concede
anistia póstuma ao líder da Revolta da Chibata, o marinheiro João Cândido.
O
ministro Edson Santos também discutiu estratégias para a votação do
Estatuto da Igualdade Racial, e vêm reunindo-se com diversos partidos para
garantir a aprovação do projeto.
Conhecido como o
Almirante Negro, João Cândido liderou o movimento pelo fim dos castigos
corporais e por melhores condições dentro da Marinha de Guerra. O uso da
chibata era uma herança do período da escravidão. Apesar de ter sido abolido
formalmente com a proclamação da República, esse método continuou a ser
utilizado pela aristocrática oficialidade da Marinha. O castigo era aplicado
no convés e toda a tripulação tinha que assistir a humilhação dos seus
companheiros.
O levante
ocorreu no dia 22 de novembro de 1910, após o marinheiro negro Marcelino
Rodrigues sofrer 250 chibatadas, 10 vezes mais o que era determinado,
mobilizando quatro navios de guerra na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
João Cândido
apresentou um manifesto com as reivindicações dos revoltosos, incluindo o
fim da chibata. Após várias negociações, foi aprovado um projeto de anistia
feito pelos senadores Rui Barbosa e Severino Vieira, o governo fingiu
aceitar as exigências e com isso os marinheiros cessaram o levante. Mas os
revolucionários foram traídos pelo governo de Hermes da Fonseca, acabaram
detidos e o movimento barbaramente reprimido, com o assassinato de muitos
deles.
Levando ao fim o
uso da chibata como punição, a revolta terminou vitoriosa, mas seu líder foi
preso e expulso da Marinha sem qualquer direito. Vivendo precariamente, João
Cândido sofreu privações e passou a vida trabalhando como estivador e
descarregando peixes na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro.
Imortalizando a
luta de João Cândido, na década de 70, os compositores João Bosco e Aldir
Blanc resgataram a memória do líder com o samba “O mestre-sala dos mares”.
Outra homenagem também foi feita ao herói em 22
de novembro de 2007, quando foi inaugurada uma estátua do Almirante Negro
nos jardins do Museu da República, antigo Palácio do Catete. |