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Barack Obama
fica a um passo da indicação após a vitória do dia 6
“Porque
vocês continuam acreditando que esta é a nossa hora para a mudança, esta
noite nós estamos a menos de 200 delegados de assegurar a indicação
democrata para presidente dos EUA”, afirmou Obama ao agradecer a seus
apoiadores
Na disputa dos delegados dos dois últimos
grandes estados em questão, o pré-candidato Barack Obama venceu por alargada
margem as primárias da Carolina do Norte (15%) e, no estado de Indiana,
ficou atrás da senadora Hillary Clinton pela estreita diferença de 2%. Nas
palavras do senador John Kerry, ex-candidato presidencial contra W. Bush em
2004, Obama deu nessas primárias “um passo gigantesco, e possivelmente o
decisivo”, p ara
a indicação a candidato do Partido Democrata em novembro. A vitória soterra
os transtornos à campanha de Obama causados pelas desequilibradas
declarações do pastor Wright, e que provocaram o rompimento entre ele e o
candidato. Já Hillary, apesar de insistentes apelos dos mais diversos
setores do partido, para que retire sua candidatura, declarou que irá
mantê-la até o final, sob a argumentação de que ser a “mais facilmente
elegível” contra McCain. Faltam agora as primárias de Virgínia Ocidental,
Kentucky e Oregon, ainda neste mês; e Porto Rico, Montana e Dakota do Sul,
na primeira semana de junho.
As insinuações sobre uma “inapelável divisão” do
partido foram repelidas tanto por Obama (ver matéria abaixo), quanto por
Hillary. “Sei que as pessoas estão se perguntando se eu vou ganhar, se ele
[Obama] vai ganhar”, afirmou a senadora, acrescentando que a disputa “está
muito apertada”. Hillary apontou que isso “diz muito sobre como nossos
apoiadores estão determinados e engajados, e o quanto muitos americanos
estão decididos a recuperar de verdade seu país”. “Posso assegurar a vocês
que, não importa o que acontecer, eu vou trabalhar pelo candidato indicado
pelo Partido Democrata, porque precisamos vencer em novembro”, ela reiterou.
“E eu sei que o senador Obama sente o mesmo”, assinalou.
Em seu discurso – que alguns analistas
consideraram com o de um candidato posto – Obama lembrou que “quando essa
campanha começou, Washington não nos dava a mínima chance. Mas porque vocês
vieram apesar do frio penetrante; e bateram às portas, e alistaram seus
amigos e vizinhos nesta causa; porque vocês se levantaram diante dos
cínicos, dos céticos, e dos niilistas quando estávamos avançando e nas hor as
ruins; porque vocês continuam acreditando que esta é a nossa hora, e o nosso
tempo, para a mudança – esta noite nós estamos a menos de 200 delegados de
assegurar a nomeação democrata para Presidente dos Estados Unidos”.
Prosseguindo, Obama lembrou os dramas vividos
pelas pessoas comuns que têm encontrado em sua campanha, e que exemplificam
a crise que aflige o país - a mãe que perdeu o filho no Iraque, a
trabalhadora que ficou sem emprego, sem aposentadoria e sem seguro-saúde
quando sua fábrica foi fechada, o estudante que trabalha à noite e não tem
sequer como pagar os remédios da irmã doente, o desempregado sem
perspectivas, a família que perdeu sua casa. Tudo isso enquanto Washington e
Wall Street só cuidam dos magnatas e das corporações. Ele retomou a mensagem
que o tornou o símbolo da possibilidade de mudança, uniu multidões e trouxe
a juventude para sua candidatura. A de que o povo americano tem o desejo de
não mais ser definido por suas diferenças. “Podemos não ter a mesma
aparência, ou vir do mesmo lugar, mas queremos nos mover na mesma direção –
um futuro melhor”, convocou. “Temos esperanças comuns“, salientou. “Nunca se
esqueçam que temos uma escolha neste país – que podemos escolher não sermos
divididos; que podemos escolher não sermos amedrontados; que ainda podemos
escolher este momento de finalmente nos unirmos e resolvermos os problemas
de que temos falado ao longo de todos esses anos,em todas essas eleições”.
ANTONIO PIMENTA
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