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Governo Bush
prendeu jornalista por seis anos em Guantánamo, onde foi torturado
O jornalista sudanês Sami Al Hajj, da rede de TV
Al Jazira, foi libertado da base norte-americana de Guantánamo após mais de
seis anos de prisão. Ele foi recebido na capital do Sudão pela família e
pela direção da TV árabe e levado diretamente para um hospital, devido ao
seu grave estado de saúde. “Agradeço a Deus... por estar livre de novo”,
afirmou no leito do hospital. Ele foi libertado após uma intensa greve de
fome.
Al Hajj afirmou que as condições no campo de
concentração norte-americano estão “ficando piores a cada dia”. “Alguns de
nossos irmãos vivem sem roupas”, disse.
O seqüestro do cameraman da Al Jazira ocorreu em
dezembro de 2001, próximo à fronteira com o Afeganistão. Levado para o campo
de concentração dos EUA em Bagram, começou a viver um verdadeiro pesadelo,
sofrendo abusos sexuais e ameaças dos soldados norte-americanos de estupro.
“Foram os piores dias de minha vida”, disse.
Salim Lamrani, em artigo publicado no jornal
cubano “Granma”, afirma que Al Hajj, foi seriamente torturado durante muitos
meses, era obrigado a ajoelhar-se durante horas, atacado com cães e agredido
constantemente.
O jornalista sudanês foi também metido numa
gaiola e levado a um hangar. Ele explicou que os carrascos arrancavam os
cabelos e os pêlos da barba dos presos. Os carcereiros o espancavam
freqüentemente e não o deixaram tomar banho durante cem dias e seu corpo
tinha sido invadido de piolhos.
Em 13 de junho de 2002, Sami al Hajj foi enviado
a Guantánamo acorrentado, amordaçado e encapuzado. Os carcereiros o
despertavam violentamente com golpes na cabeça. Antes do primeiro
interrogatório, não lhe permitiram dormir durante dois dias.
“Em três anos, a maioria dos interrogatórios
tentava estabelecer uma ligação entre Al Jazira e Al Qaeda”, afirmou seu
advogado.
Espancaram as plantas dos pés e o amedrontaram
com cachorros. Foi vítima de humilhações racistas. Com seus companheiros de
cárcere, fez greve de fome. A reação do exército norte-americano foi muito
violenta: foi surrado e atirado por uma escada, ficando seriamente ferido na
cabeça. Depois foi isolado e transladado ao Campo V, o mais severo de
Guantánamo, classificado no nível de segurança quatro, onde são cometidas as
piores brutalidades. |