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Polícia Federal interroga assessor de Álvaro Dias
Senador pode ser
ouvido de novo. Governo quer que Aparecido e Fernandes deponham na CPI
As investigações do governo federal sobre o
vazamento de dados da Casa Civil referentes à despesas de Fernando Henrique
Cardoso está se aproximando de seu desfecho. A Polícia Federal interrogou, na
segunda-feira, André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias
(PSDB-PR). A PF quer esclarecer o envio das informações da Casa Civil para o
gabinete do senador tucano e o seu posterior vazamento para a imprensa. O
assessor de Dias confirmou ter recebido do secretário de Controle Interno da
Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, os dados sobre gastos do ex-presidente e
da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Investigações levadas a cabo pelo Instituto de
Tecnologia da Informação (ITI), a pedido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Roussef, já haviam revelado que José Aparecido trocou e-mails no dia 20 de
fevereiro com André Fernandes, assessor de Álvaro Dias. Num deles havia um
arquivo anexado contendo uma planilha com dados da Casa Civil. Segundo André
Fernandes, o arquivo continha informações sobre os gastos do governo de Fernando
Henrique. “Repassei o arquivo para meu chefe, o senador Álvaro Dias”, informou o
funcionário, que negou ter vazado o dossiê para a imprensa. “Nunca faria isso”,
disse.
André Fernandes foi ouvido por cerca de 3 horas
pelo delegado Sérgio Menezes, que preside o inquérito. Menezes informou que,
após as declarações do assessor, quer ouvir novamente o senador Álvaro Dias, que
já havia sido interrogado pela PF no dia 30 de abril. Segundo a PF, há
contradições que precisam ser esclarecidas. André Fernandes disse, na
sexta-feira, ao colunista Ricardo Noblat, que guardava o arquivo com as
informações que havia recebido de José Aparecido e que estava pronto para depor
na CPI do Cartão Corporativo. Mas, no sábado, em entrevista ao Correio
Braziliense, mudou a versão: “Não tenho mais esse e-mail. Apaguei”, disse ele.
O senador Álvaro Dias, por sua vez, admitiu ter
recebido as informações de seu assessor. Ele negou que tenha vazado. No entanto,
na época em que foi divulgado o material pela revista Veja, o senador admitiu
publicamente que era “uma das fontes” da revista. O fato é que logo após ter
recebido o material de seu assessor, a planilha foi parar na Veja.
Fernandes confessou também que, junto com Álvaro
Dias, já vinham, há pelo menos cinco anos, tentando obter informações sobre as
despesas sigilosas do governo Lula. Ele disse à PF que não pediu-as ao
secretário de Controle Interno da Casa Civil e que foi tomado por um misto de
surpresa e preocupação com o material recebido. “Acho que ele queria mostrar que
tinha informações”, disse. A planilha, segundo André Fernandes, tinha 28
páginas. Além da pasta dedicada ao ex-casal presidencial, havia outras, com o
nome de ex-assessores da administração FHC.
A Casa Civil, que acionou a Polícia Federal e
apontou que as informações poderiam ter sido subtraídas de seu banco de dados,
anunciou que aguardará o término das apurações para se pronunciar a respeito do
assunto. Já José Aparecido Nunes, que vem sustentando que não enviou o material
para o assessor de Álvaro Dias (“pelo menos não de forma consciente”, disse
ele), pediu, na segunda-feira, afastamento do cargo. A Polícia Federal e a CPI
dos cartões corporativos anunciaram que pretendem ouvi-lo, juntamente com o
assessor do senador Álvaro Dias.
O chefe da Agência Brasileira de Informação (ABIN)
general Jorge Armando Félix, informou à Casa Civil, na semana passada, e a
ministra Dilma tornou público, em sua audiência no Senado, que os dados sobre as
despesas de Fernando Henrique Cardoso que constam no material divulgado já não
são considerados sigilosos. Segundo o general Félix, essas informações deixaram
de ser sigilosas no ano de 2005. O caso, portanto, segundo as informações do
general, deixaria a esfera criminal para ter um caráter apenas político.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá
(PMDB-AP), acrescentou que para o governo está claro que o vazamento das
informações foi patrocinado pela oposição. “Já está comprovado que quem fez o
vazamento foi um membro da oposição, do PSDB (em referência ao senador Dias). Os
dados foram subtraídos do Suprim (Sistema de Suprimento de Fundos) e vazados
deliberadamente pela oposição. É preciso saber quem são os responsáveis pelo
vazamento e os motivos para o ato. O que sabemos é que a ministra Dilma foi
vítima desse vazamento”, disse Jucá.
O senador declarou que o governo não vê motivos
para uma nova convocação da ministra Dilma na CPI mista. “A ministra já veio
aqui e deu um show na oposição. Não é possível que eles queiram isso de novo”,
declarou. O governo quer que os dois envolvidos, José Aparecido e André
Fernandes, sejam ouvidos pela CPI. “Os dois devem depor no mesmo dia”, comentou
Jucá. “É uma questão de simbologia. O governo quer pagar para ver. Por isso, a
nossa posição é apoiar a convocação e esclarecer os fatos”, completou Jucá.
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