MP investiga pagamentos da Alstom a tucanos

Assim que jornais internacionais noticiaram que a multinacional Alstom pagou propina para tucanos de São Paulo por conta de contratos assinados com o Metrô, o jornal “Folha de São Paulo” tratou logo de exumar investigações da Polícia Federal sobre uma quadrilha que extorquia estatais federais de energia elétrica para tentar tirar o foco das irregularidades cometidas no governo de São Paulo.

As informações mais recentes sobre a Alstom foram trazidas à tona através de uma investigação realizada na Suíça, de onde partiu a notícia de que a empresa pagou, pelo menos, US$ 6,8 milhões em propinas para “vencer” uma licitação no governo paulista. Um dos nomes citados até o momento é o do ex-ministro das Comunicações de Fernando Henrique, Sérgio Motta, que era dono de uma empresa chamada de Hidrobrasileira, conhecida por intermediar negócios desta natureza.

A partir desta denúncia, o Ministério Público Estadual começou a investigar o caso e já solicitou informações do governo e do Tribunal de Contas do Estado, que listou mais de 30 contratos assinados pelo governo paulista, alguns sem licitação, desde o início da década de 90. Os contratos foram firmados pelo Metrô, Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Engenharia e Planejamento de Transmissão de Energia (EPTE), Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), Sabesp, Dersa e CPTM.

Entre os contratos que mais chamaram a atenção do MPE estão três da CTEEP no valor total de R$ 5,6 milhões, firmados sem licitação nos anos de 2002 e 2003. No Metrô, pelo menos cinco contratos foram firmados com a Alstom. O que impressionou os procuradores que começaram a investigar o caso é a grande quantidade de aditamentos que foram feitos. Dois aditivos efetuados em contratos da Linha 2 - Verde, de 2005, somam R$ 160 milhões. O aditivo mais recente é de maio de 2007, de R$ 70 milhões, para compra de 22 trens.

Mas, tais informações passaram longe da Folha. Na última segunda-feira, por exemplo, o destaque foi dado para uma matéria requentada de que o nome do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), líder do partido no Senado, e o de Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte e irmão do deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), apareciam numa lista apreendida pela PF em 2006 na casa do ex-assessor de Raupp, José Roberto Paquier, juntamente com uma cifra de R$ 2 milhões e o nome da Alstom.

A operação desencadeada na época pela PF, conhecida como Castores, visava desbaratar uma quadrilha que tentava extorquir estatais federais de energia elétrica. Em meio às apurações, a PF chegou a Paquier, que na época foi preso e demitido pelo senador. Segundo a PF, ele tentava intermediar o pagamento de uma dívida de R$ 300 milhões que a Eletronorte tinha com a Alstom.

Embora esta operação tenha sido amplamente noticiada na época, a “Folha” resolveu relembrar o caso, para colocar apenas no meio da matéria, que a Alstom está sendo investigada porque os promotores da França e da Suíça “citam que um dos casos suspeitos envolve o Metrô paulistano - a empresa teria pago US$ 6,8 milhões a políticos para ganhar uma licitação de US$ 45 milhões”.

Para Valdir Raupp , o envolvimento de seu nome em uma denúncia de propina paga pela  Alstom, empresa com a qual jamais teve qualquer contato e da qual nunca recebeu qualquer doação de campanha, “está com cara de missa encomendada”. “Não há inquérito, não há processo e, que eu saiba, também não houve investigação”, declarou o senador. Raupp diz que há mais de dois anos, quando o único diretor da Eletronorte indicado por ele foi demitido, não tem nenhum indicado seu lá. “Só conheci o presidente da Eletronorte à época (Carlos Nascimento) depois que ele tomou posse”.

 


Primeira Página

 

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Página 3

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Errata

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Página 5

 

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Cartas

 

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