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60% dos metalúrgicos de SP
já têm jornada semanal de 40 horas
No
próximo 28 de maio será realizado o Dia Nacional de Mobilização e Luta das
centrais sindicais. Em entrevista ao HP, o secretário-geral da CUT-SP e líder
metalúrgico Adi dos Santos Lima, avalia o significado da data.
Qual a importância desta
ação unitária?
É
fundamental que a manifestação do dia 28 chame a atenção da opinião pública,
mobilize a sociedade, para a redução da jornada de trabalho sem redução de
salário, que significa qualidade de vida à população. As centrais estão lutando
unidas para que todos os trabalhadores tenham mais saúde, melhores condições de
vida. Será um dia que mostraremos a nossa organização e disposição de avançar,
até porque a última redução de jornada legal foi em 1988, há 20 anos.
Há exemplos vitoriosos
nesta batalha...
O
ramo metalúrgico vem numa luta pela redução da jornada desde a década de 80,
onde fizemos greve na categoria por todo Estado de São Paulo. A região do ABC
foi pioneira nesta questão, tanto que hoje 60% da categoria tem 40 horas
semanais, entre 20 a 25% tem 41-42 horas, e devemos ter ainda uns 15% com 44
horas semanais. Isso é fruto da luta desencadeada pela categoria nas décadas de
80 e 90. Por isso devemos conseguir avançar nos acordos coletivos, nos adiantar
à votação do Congresso, indo em busca da redução da jornada efetiva, mesmo que
seja uma redução de uma hora por ano, duas horas por ano. Assim foi feito na
Alemanha, que reduziu em etapas e hoje tem jornada de 36 horas semanais.
Como enfrentar o problema
da demissão imotivada?
Este
é um desafio porque temos uma cultura empresarial muito diferente, que se
aproveita da falta de leis que não coíbem as demissões. Assim, demitem o
trabalhador sem nenhum motivo, o que traz transtornos para as famílias, um
trauma para as pessoas. A ratificação, a implementação da 158 certamente vai
diminuir esta angústia, onde o trabalhador entra no serviço pela manhã e não
sabe se estará mais ali no outro dia. A Convenção 158 é fundamental para pôr um
freio à demissão imotivada.
E o combate à alta
rotatividade?
A
rotatividade da mão-de-obra consome grande parte dos postos de trabalho que
poderiam ser criados. Este é um artifício que as empresas usam para rebaixar
salário, diminuir o poder aquisitivo dos trabalhadores. Em 2007, por exemplo,
houve 14 milhões e 300 mil contratações e, ao mesmo tempo, 12 milhões e 700 mil
trabalhadores foram demitidos. Ao entrar em vigor, a 158 não vai acabar com a
demissão sem justa causa, mais vai diminuir a quantidade delas.
Qual o papel da central
sindical neste processo?
A
CUT está vivendo um momento muito importante. Sempre foi uma central de
desafios, foi assim que ela nasceu, de luta por uma estrutura sindical
democrática, que garanta liberdade e autonomia, organização no local de
trabalho... Nestes últimos anos, sem deixar nenhuma bandeira de fora, incluiu
questões como o salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda, o
crédito consignado, ampliando a pauta de reivindicação para beneficiar não
apenas os trabalhadores que representa, mas um espectro maior, envolvendo a
população como um todo. A CUT luta, organiza, negocia e, mais do que isso,
batalha pela cidadania das pessoas. |