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Bráulio, inteligência em
campo
ARIOVALDO IZAC *
Vasculhe dezenas de escalações de equipes de futebol profissional por esse
Brasil afora e veja em quantas aparecem jogadores com o nome Bráulio. Observe,
também, no seu círculo de convivência, quem foi registrado com o prenome
Bráulio. Dá pra contar nos dedos das mãos, né?
É
que o Ministério de Saúde, preocupadíssimo com o crescimento de doenças
sexualmente transmissíveis através de relacionamento sexual, na década de 70,
intensificou em 1975 a campanha do uso de preservativo entre parceiros
heterossexuais e homossexuais, como meio eficaz para a prevenção de doenças
decorrentes desse tipo de contaminação. Foi uma “enxurrada” de inserções
publicitárias no rádio e na televisão.
Até
aí tudo bem. Considera-se plausível a orientação sobre práticas sexuais com
penetração observando-se o menor risco de contaminação. A grosseria foi criar o
personagem Bráulio para identificar o pênis.
Evidente que expuseram os Bráulios de registros em cartório a situação
constrangedora, e de lá pra cá raríssimos pais ousaram colocar esse nome em seus
filhos. Igualmente o talentoso compositor Chico Buarque de Holanda não
dimensionou a exposição do nome Geni depois que interpretou uma canção sugerindo
que jogassem fezes nela - pra não dizer a horrível palavra. Centenas de Genis
ganharam autorização na Justiça para mudança de nome.
Divagação à parte, o certo é que o gaúcho Bráulio, ex-jogador do Inter (RS)
cravou seu nome no futebol pelo talento. Hoje, aos 59 anos de idade, em vez de
merecida aposentadoria, assessora a diretoria da Federação Gaúcha de Futebol com
a mesma velocidade de raciocínio dos tempos em que foi ponta-de-lança do time
colorado, entre os anos 60 e 70, quando jogou ao lado de ídolos como o zagueiro
chileno Dom Elias Ricardo Figueiroa, o ponteiro-direito Valdomiro e o
centroavante Claudiomiro.
INTERNACIONAL
A
estréia no Inter foi em 1966, no antigo Estádio dos Eucaliptos, com direito a
golaço contra o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e cia.. Bráulio era dos tais
que antevia a jogada e nem por isso foi titular intocável no Inter. A escola
gaúcha de futebol sempre priorizou a correria. Por isso, concorrente da posição
como Sérgio Galocha - de estilo guerreiro - muitas vezes ganhou a preferência de
treinadores míopes. Foi um desperdício o craque Bráulio no banco de reservas.
VERMELHINHO
Por
essa e outras razões topou a transferência para o América do Rio de Janeiro, e
entrou para a história como um dos melhores meio-campistas que por lá passaram.
Em 1974, integrou o time “vermelhinho” que conquistou a Taça Guanabara, formado
por Rogério, Orlando Lelé, Geraldo, Alex e Álvaro; Ivo Mortmann, Bráulio e Edu;
Flexa, Luizinho e Gilson Nunes.
No
final de carreira, levado pelo amigo Figueiroa, teve passagem pelo futebol
chileno até se enojar do regime ditatorial do general Augusto Pinochet – então
presidente do país -, com o contestável toque de recolher. A liberdade de ir e
vir não tem preço para Bráulio, que voltou ao Brasil e se radicou em Porto
Alegre em 1982, onde criou escolinha de futebol fundamentada no aprimoramento
técnico dos garotos.
Solidário à categoria, também criou uma cooperativa de ex-atletas,
concretizando parcerias com a Prefeitura de Porto Alegre e governo do Estado do
Rio Grande do sul para abrigar antigos companheiros.
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É jornalista em Campinas e colaborador do HP |