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Obama
consolida a vantagem e dá largada na campanha presidencial
Depois de ampliar a vantagem sobre Hillary em delegados eleitos, Barack Obama a
superou nos superdelegados. O senador estende sua campanha aos Estados de
Missouri, Flórida e Michigan além dos seis últimos onde ainda haverá primárias
Como
a mídia dos EUA registrou amplamente, o senador Barack Obama, após ter
consolidado sua posição frente a Hillary Clinton na indicação a candidato
democrata, “mudou seu foco para a eleição geral” e já se concentra,
principalmente, no combate ao candidato republicano John McCain. Até 3 de junho,
haverá mais seis primárias democratas. Mas, com a aceleração do avanço de Obama,
desde a vitória por dois dígitos de vantagem na Carolina do Norte, não há mais
como Hillary alcançá-lo em número de delegados eleitos, e no domingo passado ele
a ultrapassou também em superdelegados (como são designados os governadores,
senadores, deputados e líderes do diretório nacional do partido).
Assim, a
campanha de Obama anunciou que, nesse período, ao invés de se circunscrever à
disputa nesses últimos seis estados, ele irá a Missouri, um grande Estado, no
qual os republicanos venceram nos dois últimos pleitos, para intensificar a
campanha democrata contra o “terceiro mandato” de W. Bush, isto é, John McCain,
e apoiar a candidatura local ao Congresso. Em um evento de campanha na Virgínia
Ocidental, Obama se expressou, nas palavras da “Reuters”, “com um olho em
McCain”. Ele discursou para veteranos de guerra, aos quais denunciou que o
candidato republicano tem se oposto, no Senado, à proposta de lei democrata de
extensão de benefícios para sua qualificação profissional.
“No
momento em que estamos defrontando o maior retorno [de soldados] desde a Segunda
Guerra Mundial”, afirmou Obama, “o verdadeiro teste de nosso patriotismo é se
nós servimos aos que voltam conforme eles nos serviram”. Obama também denunciou
as “condições miseráveis” de atendimento no maior hospital militar do país, o
Walter Reed, e “a longa espera e obstáculos burocráticos” que afligem os
veteranos que precisam de atendimento. Ele propôs ampliação dos benefícios para
os veteranos na saúde, educação, moradia e tratamento psiquiátrico, e ironizou o
“motivo” de McCain contra a lei proposta pelo partido: seria “generosa demais”.
Justo McCain, que gosta de posar de “protetor dos militares” americanos – desde
que não atrapalhem o corte de impostos para milionários.
Nos novos
eventos das primárias em curso, vem ocorrendo uma mudança de tom entre os dois
candidatos democratas. Surgiram, inclusive, especulações sobre uma dobradinha
Obama-Hillary, e Obama deu declarações públicas sobre sua disposição em atuar
pelo fortalecimento da liderança da senadora. O senador Edward Kennedy, apoiador
declarado de Obama, considerou a proposta pouco provável, mas um dos principais
aliados de Hillary, o senador Chuck Schumer, defendeu a idéia. “Ambos Hillary e
Obama têm sido concorrentes muito fortes, e eu acho que juntos seriam uma grande
dobradinha”. Alguns colunistas traduziram a declaração de Obama meramente como
uma oferta de ajudar Hillary a cobrir os US$ 20 milhões de dívidas da campanha
dela. Veio a público a provável “fonte” dos boatos sobre a “divisão inapelável”
dos democratas: o guru de Bush, Karl Rove.
Também no
sentido de consolidar a unidade do partido, Obama tem se dedicado a resolver o
impasse criado pelos diretórios estaduais da Flórida e Michigan, que realizaram
prévias sem respeitar as normas estabelecidas pelo partido. A solução que vem
sendo negociada no Michigan com os líderes estaduais é que 54% dos delegados
fique com Hillary, e 46% com Obama. Na semana passada, Hillary insistiu em ter
contabilizados, para ela, os votos das duas primárias anuladas. A agenda de
Obama nas duas próximas semanas inclui idas a Dakota do Sul (onde ele recebeu o
apoio de George McGovern) e Oregon, Michigan (condados de Macomb e Grand Rapids,
este, um reduto republicano) e três dias na Flórida.
No
domingo, Obama aproveitou para dar mais duas alfinetadas em McCain. Mirou a
proposta de “férias de verão para o imposto sobre a gasolina”, com a qual os
donos de carro poderiam “economizar um quarto [vinte cinco centavos] e um níquel
por dia”. Enquanto a Exxon, a Chevron e demais “Irmãs” lucram bilhões de
dólares. Ele também lembrou um dos escândalos em que o “ético” McCain está
metido: a falência fraudulenta da Keating Five em 1987, no escândalo das “saving
and loans” [cadernetas de poupança] do governo Reagan.
ANTONIO PIMENTA |