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Nos novos eventos das primárias em curso, vem ocorrendo uma mudança de tom entre os dois candidatos democratas. Surgiram, inclusive, especulações sobre uma dobradinha Obama-Hillary, e Obama deu declarações públicas sobre sua disposição em atuar pelo fortalecimento da liderança da senadora. O senador Edward Kennedy, apoiador declarado de Obama, considerou a proposta pouco provável, mas um dos principais aliados de Hillary, o senador Chuck Schumer, defendeu a idéia. “Ambos Hillary e Obama têm sido concorrentes muito fortes, e eu acho que juntos seriam uma grande dobradinha”. Alguns colunistas traduziram a declaração de Obama meramente como uma oferta de ajudar Hillary a cobrir os US$ 20 milhões de dívidas da campanha dela. Veio a público a provável “fonte” dos boatos sobre a “divisão inapelável” dos democratas: o guru de Bush, Karl Rove.
Também no sentido de consolidar a unidade do partido, Obama tem se dedicado a resolver o impasse criado pelos diretórios estaduais da Flórida e Michigan, que realizaram prévias sem respeitar as normas estabelecidas pelo partido. A solução que vem sendo negociada no Michigan com os líderes estaduais é que 54% dos delegados fique com Hillary, e 46% com Obama. Na semana passada, Hillary insistiu em ter contabilizados, para ela, os votos das duas primárias anuladas. A agenda de Obama nas duas próximas semanas inclui idas a Dakota do Sul (onde ele recebeu o apoio de George McGovern) e Oregon, Michigan (condados de Macomb e Grand Rapids, este, um reduto republicano) e três dias na Flórida.
No domingo, Obama aproveitou para dar mais duas alfinetadas em McCain. Mirou a proposta de “férias de verão para o imposto sobre a gasolina”, com a qual os donos de carro poderiam “economizar um quarto [vinte cinco centavos] e um níquel por dia”. Enquanto a Exxon, a Chevron e demais “Irmãs” lucram bilhões de dólares. Ele também lembrou um dos escândalos em que o “ético” McCain está metido: a falência fraudulenta da Keating Five em 1987, no escândalo das “saving and loans” [cadernetas de poupança] do governo Reagan.
ANTONIO PIMENTA
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