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MPE investiga mais 5 contratos da Alstom com o governo de SP
Além do Metrô,
negócios da multinacional com a CESP, CPTM, Sabesp, Eletropaulo e CTEEP,
realizados entre 95 e 2003, estão sob suspeita
O Ministério Público de São Paulo receberá a
colaboração de seus congêneres da Suíça nas investigações sobre o pagamento de
propina pela empresa francesa Alstom a políticos tucanos para a obtenção de
contratos no Metrô da capital, entre os anos de 1995 e 2003.
As denúncias foram divulgadas inicialmente na
Suíça. Segundo elas, a multinacional francesa pagou US$ 6,8 milhões em propinas
para “vencer” uma licitação de US$ 45 milhões no governo paulista. Um dos nomes
envolvidos é o do ex-ministro das Comunicações de Fernando Henrique, Sérgio
Motta, que era dono da empresa Hidrobrasileira, conhecida por intermediar
negócios desta natureza.
O Ministério Público informou que vai investigar
também contratos da Alstom com outras seis empresas ligadas ao governo de São
Paulo. Além do Metrô, cujos documentos já haviam sido solicitados pela
Promotoria na semana passada, serão apurados os negócios da empresa francesa com
a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Cesp (Companhia Energética
de São Paulo), Eletropaulo, Sabesp (a companhia estadual de água e saneamento) e
CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista).
A CTEEP teve um contrato no valor total de R$
5,6 milhões, firmado sem licitação nos anos de 2002 e 2003. No Metrô, pelo menos
cinco contratos foram firmados com a Alstom. O que chamou a atenção dos
procuradores que começaram a investigar o caso é a grande quantidade de
aditamentos que foram feitos. Dois aditivos efetuados em contratos da Linha 2 -
Verde, de 2005, somam R$ 160 milhões. O aditivo mais recente é de maio de 2007,
de R$ 70 milhões, para compra de 22 trens.
O secretário-geral do Sindicato dos Metroviários
e presidente da Federação Nacional dos Metroviários, Wagner Fajardo, comentou as
denúncias envolvendo a Alstom e o Metrô paulista. “A Alstom chegou no Metrô de
forma meio estranha”, recorda o sindicalista, para quem a companhia não tinha o
devido know-how para substituir o sistema de sinalização e computadores em
licitação vencida pela multinacional no ano 2000. “Foi o próprio corpo técnico
do Metrô quem mais trabalhou. Na época, aquilo nos pareceu muito estranho, mas
não suspeitávamos que pudesse haver propina”, prosseguiu.
Calcula-se que a Alstom pode ter distribuído
cerca de US$ 200 milhões em propinas no Brasil, como a outros países da América
do Sul, e mais Cingapura e Indonésia. O procurador Silvio Marques, que apura o
escândalo, ressalta que precisará de colaboração internacional para desvendar o
caso. Os papéis suíços poderiam, segundo ele, vir para o Ministério Público de
São Paulo por meio de uma figura jurídica chamada “transmissão espontânea de
informação”.
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