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“São graves delitos contra
a economia nacional, a segurança e o meio ambiente”
“Além dos graves delitos contra a economia nacional, existem crimes contra a
segurança, o meio-ambiente, e à organização dos trabalhadores”, afirmou Roni
Anderson Barbosa, presidente regional da CUT-Paraná, condenando as “atrocidades
da Bunge-Fosfertil”.
Roni
informou que recentemente o Ministério da Agricultura, após quatro meses de
investigação sobre a conduta de empresas e o comportamento do mercado, divulgou
diagnóstico sobre a multinacional Bunge. “O resultado foi temerário: a empresa
montou um oligopólio no setor brasileiro de fertilizantes e é responsável pelos
altos custos de produção de lavouras, principalmente a da soja, que responde por
33% da produção agrícola nacional. Desse modo, é possível afirmar que todos os
brasileiros estão à mercê da Bunge-Fosfertil. Sofrem os pequenos produtores, que
agora são obrigados a cumprir cotas na compra de fertilizantes, que estão cada
vez mais caros, e padecem os consumidores, que vêem os preços nas gôndolas dos
supermercados subirem incessantemente”, declarou.
Na
avaliação do dirigente cutista, isso é reflexo das privatizações realizadas nos
anos 90. “Até 1992 a Petrobrás controlava o mercado de fertilizantes através da
Fosfertil, privatizada no ano seguinte. A partir daí, o oligopólio
Bunge-Fosfertil começou a tomar o país. Uma a uma, as empresas de médio e grande
porte do setor foram sendo adquiridas, até que se chegou ao nível atual: a Bunge
controla 98% da produção de ácido fosfórico, 94% do superfosfato triplo, 88% da
demanda de cloreto de potássio, 87,2% da demanda de sulfato de amônia, 76% da
produção de rocha fosfáltica, e 69% da produção de ácido sulfúrico. Em outras
palavras, detém o controle absoluto do mercado de fertilizantes do país”.
Sobre as condições de segurança da unidade de Araucária do oligopólio
Bunge-Fosfertil, Roni qualificou de “verdadeira bomba-relógio”. “Essa indústria
petroquímica é enquadrada como grau de risco 3 (um dos mais altos), armazena
mais de 10 mil toneladas de amônia, entre outros produtos químicos altamente
tóxicos, e, ainda por cima, opera fora das regras de segurança impostas pela
Norma Regulamentadora nº 13, que prevê prazos periódicos para a inspeção de
equipamentos que operam sob pressão. A empresa adiou sistematicamente a parada
programada para manutenção, prevista para março de 2007 e só a realizou em
fevereiro de 2008, de forma rápida e precária, depois de denúncia do
Sindiquímica-PR junto à Superintendência Regional do Trabalho”, ressaltou. |