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PL 29: Pelo telefone, desnacionalização da TV
ameaça a soberania brasileira
“O
PL 29, relatado pelo deputado Jorge Bittar, a
pretexto de criar ‘novas regras’ para a TV por
assinatura no Brasil, na realidade transfere o
controle do setor para um reduzido grupo de
poderosos conglomerados de telecomunicações
(Telefônica, Telmex e Sky)”, afirma o presidente
da TV Comunitária de Brasília, Beto Almeida, no
artigo que tomamos a liberdade de dividir em
matérias, com a indicação da sua continuidade
1.
Um gravíssimo golpe contra a soberania nacional
está sendo preparado por meio do Projeto de Lei
29, relatado pelo deputado Jorge Bittar. A
pretexto de criar “novas regras” para a TV por
assinatura no Brasil, na realidade transfere o
controle do setor para um reduzido grupo de
poderosos conglomerados de telecomunicações
(Telefônica, Telmex e Sky), abrindo espaço para
um verdadeiro esmagamento da produção
audiovisual brasileira, para a inviabilização
completa das TVs comunitárias e universitárias,
e, em futuro breve, para o controle total da TV
aberta por transnacionais da comunicação. Sim,
novas regras: os poucos oligopólios externos
assumem o controle!
O lado triste e emblemático de tudo isto é que a
manobra dos oligopólios estrangeiros da
telefonia para dominar a TV brasileira ocorre no
exato momento em que a AMAR (Associação dos
Músicos Arranjadores e Regentes) denuncia que o
samba amaxixado “Pelo Telefone”, do
genial Donga, o primeiro samba gravado no
Brasil, teve sua autoria transferida para
editora musical dos EUA que comprou arquivos de
editora nacional, sendo registrada como se fora
canção norte-americana.
Esta verdadeira ofensiva de ocupação do
audiovisual brasileiro, em continuidade à
desnacionalização iniciada com a introdução da
cabodifusão no Brasil, ocorre em meio a
crescente processo de oligopolização do setor de
comunicação e telecomunicação mundialmente, sem
que o texto do PL 29 estabeleça qualquer
mecanismo de proteção aos produtores nacionais,
aos produtores independentes. Além disso, o
relator rejeitou ainda todas as sugestões para o
fortalecimento das TVs comunitárias e
universitárias para assegurar pluralidade e
diversidade informativas. O resultado é
previsível: controle da TV brasileira por
conglomerados de comunicação-telecomunicação
estrangeiros, hoje empenhados mundialmente na
prática de formas sofisticadas de
desestabilização de governos populares e
nacionalistas, quando não na promoção de
“terrorismo midiático”, como foi a operação
destes impérios comunicacionais para justificar
a ocupação militar do Iraque e do Afeganistão.
São estas empresas que passarão a controlar
totalmente a TV brasileira. O inacreditável é
que os defensores do PL 29 acreditam que as
mudanças , trazendo “novos atores para o
mercado”, irão democratizar e popularizar o
setor de TV por assinatura.
APARTHEID AUDIOVISUAL
Um rápido balanço sobre a cabodifusão no Brasil
hoje já permite compreender que as “novas
regras” trazidas pelo PL 29 simplesmente iriam
concentrar e internacionalizar ainda mais a TV
por assinatura no Brasil. Segundo a Ancine,
99,5% dos filmes exibidos na TV paga brasileira
são estrangeiros, esmagando a produção nacional.
O Brasil possui a TV por assinatura mais cara do
mundo, e com o maior tempo dedicado à
publicidade, o que se configura em
dupla-cobrança sobre o assinante que já havia
pago também para livrar-se do dilúvio
publicitário consumista que, na TV por
assinatura, é ainda mais volumoso que na TV
aberta. No caso dos canais estatais (TVs do
legislativo, judiciário e executivo) sua
exibição na TV paga se constitui em aberrante
bi-tributação, já que é com o dinheiro do
contribuinte que elas são mantidas, mas, para
ter acesso a elas, é preciso pagar novamente.
Não admira que a TV paga no Brasil seja um
fracasso de público, sem esquecer que a
esmagadora maioria dos assinantes têm
preferência pelos canais de TV aberta que são
exibidos na TV por assinatura. É assombroso que
ainda há os que chamam este verdadeiro
apartheid audiovisual de democratização.
Trata-se na verdade de uma clamorosa injustiça
para com o povo brasileiro, que sustenta com
verbas públicas estes canais por assinatura, mas
é impedido de assisti-los. Enfim, é uma TV para
poucos, mas paga com o dinheiro de muitos, que
não têm acesso a esta TV, assim como não têm
acesso a cinema, muito menos ao cinema
brasileiro, praticamente clandestino no Brasil,
a julgar pelos dados da Ancine e também os do
IBGE, apontando que apenas 8% dos municípios
brasileiros possuem salas de cinema,
freqüentadas por apenas 12% dos brasileiros,
que, aos poucos, vão se tornando analfabetos
cinematográficos. |