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Perigosa
ocupação externa
4. Se compararmos
o que pode acontecer na produção de energia renovável caso o estado não crie
um instrumento para a sua ação estratégica no setor, uma empresa estatal de
energia renovável, única forma de impedir a devastadora ocupação do
território brasileiro por bilionários como Bill Gates, George Soros,
Mitsubish e outros, transformando o Brasil numa “plantation”, arrasando com
a biodiversidade, ficará mais claro entender que, no caso do PL29, estamos
diante de uma operação de guerra para o controle total da TV brasileira,
alas estratégicas do poder imperialista. Alguns acham que esta inter-
nacionalização. oligopólica poderá trazer mais democracia, mais pluralidade,
mais produção nacional. Ou seja, acreditam que Robert Murdoch, Carlos Slim e
Telefônica, tão empenhados em vocalizar ameaças ao Irã, em propagandear a
ocupação e a rapina ao Iraque e ao Afeganistão, em desestabilizar a
Venezuela, em balcanizar a Bolívia, em fomentar uma guerra entre Colômbia,
Equador e Venezuela, poderão colaborar para o aperfeiçoamento da democracia
televisiva brasileira. Assim como há os que acreditam que os novos
colonizadores vão investir na TV brasileira e não rapinar nossos recursos,
vetando a produção nacional, tal como fizeram no setor fonográfico. Neste,
as multinacionais do disco começaram gravando todo o tesouro da música
popular brasileira, assim penetraram no mercado nacional. Depois, mostraram
suas garras: hoje nossos grandes talentos musicais estão em gravadores
independentes, que produzem 70% da música nacional, mas têm apenas 8% do
espaço de difusão no rádio e TV, enquanto que os oligopólios, impondo uma
ditadura do mau-gosto, gravam apenas 9% da enorme diversidade musical
brasileira, mas controlam um latifúndio de 90% do espaço de difusão em rádio
e TV. Ou seja, a oligopolização e internacionalização arruínam com a
diversidade musical brasileira, impondo a uma tirania do “muito mais do
mesmo”, tal como já ocorre na TV por assinatura, agora ameaçada de uma
overdose desta tirania, como passo para o controle também da TV aberta
brasileira. Mas, entre os que atuam na democratização da mídia, há a crença
que mais oligopólio e mais desnacionalização podem trazer democracia e
fortalecimento do audiovisual nacional. Reforçando os “argumentos”
imperiais, os EUA anunciam a reativação da Quarta Frota Naval para a América
Latina...
Só esta cândida
credulidade - apesar das estatísticas acachapantes - já nos dá uma idéia do
grau de profundidade com que as idéias colonizadoras foram semeadas por
aqui. O que também nos dá a idéia clara da gritante necessidade de uma
campanha em defesa do audiovisual brasileiro, do estabelecimento de cotas de
no mínimo 50% para a produção nacional, de mecanismos para garantir a
diversidade e pluralidade na televisão brasileira, por meio de instrumentos
que democratizem os recursos públicos hoje controlados por esta bilionária
tirania do mercado televisivo, redirecionando-os em parte para as TVs
comunitárias e universitárias, permitindo sua massificação e elevação
qualitativa, para programas de popularização da leitura de jornais e
revistas, para a disseminação massiva e gratuita de tele-centros públicos de
acesso à internet. Ou seja, é urgente fortalecer e reerguer o estado
demolido no setor de comunicação, única forma de barrar a ocupação
estrangeira e a imposição de uma ilimitada tirania de mercado.
A gravidade desta
ofensiva do grande capital internacional teleinformativo para ocupar a TV
brasileira merece uma discussão muito mais aprofundada por parte do
Congresso Nacional, inclusive da Comissão de Relações Exteriores e Defesa
Nacional, mas também do próprio Ministério da Defesa, e até mesmo do
Conselho da República pois, basta ligar a TV para ver que a questão engloba
também ameaças à soberania nacional. Trata-se de decidir agora se a TV
brasileira deve ser ainda mais controlada pelos que comandam grandes ações
internacionais neocolonizadoras, como querem segmentos que confundem
obediência à lógica concentradora do mercado com democratização, ou se
devemos, ao contrário, pensar e implementar uma linha de mais nacionalização
de nossa TV, sintonizá-la finalmente com a nossa Constituição, fortalecendo
a presença do poder público no setor, protegendo e revitalizando o nosso
audiovisual, tal como no exemplo dado pelo presidente Lula ao criar a TV
Brasil. Seremos ou não capazes de honrar a brasilidade genial do Donga? |