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CUT
levou sua solidariedade ao povo da Bolívia, que rechaça divisão do país
Quais os avanços trabalhistas?
Em primeiro lugar o decreto estabelece proteção aos
dirigentes sindicais; os processos trabalhistas são encurtados para no
máximo um ano (antes eles se arrastavam entre 5 a dez anos), num processo
oral, onde numa única audiência será resolvido caso se trate de dívidas e
benefícios sociais; a conciliação se dará em 15 dias, os trâmites serão
gratuitos, sem custos advocatícios para o trabalhador. A defesa do mandato
sindical é importante porque garante a imunidade do dirigente desde sua
eleição. Antes, havia uma controvérsia e o patronato se aproveitava do vácuo
existente até o reconhecimento legal pelo Ministério do Trabalho para
demitir o trabalhador.
E
como tem se comportado a mídia?
Há uma guerra midiática na Bolívia, com os principais meios
de comunicação nas mãos de grandes grupos empresariais. Há um ataque frontal
ao governo Evo, com raras exceções, numa situação muito semelhante a que
ocorre na Venezuela. A mídia é utilizada como instrumento de guerra contra o
governo. Por exemplo: todos os jornais manchetaram “Vitória esmagadora do
Sim”, “O Sim arrasa”, e por aí vai. Alguns publicaram uma nota paga do
governo demonstrando o tamanho da abstenção, esclarecendo o que realmente
ocorreu. Na TV, salvo a TV Bolívia, que é estatal, e a TeleSur, que passa
lá, na maior parte dos canais, campanha direta contra o governo Evo Morales.
Mesmo assim, o povo foi às ruas em gigantescas manifestações, como já falei,
demonstrando que o governo goza de uma importante base social.
Qual o papel da solidariedade internacional neste
momento?
É muito importante porque se há um retrocesso no processo
de transformações que passamos na Bolívia, isso vai ter um impacto negativo
para a luta dos trabalhadores e povos de todo o continente. Ao contrário, se
a força popular que apóia o governo Morales conseguir barrar esta tentativa
divisionista, isso será um impulso para as nossas lutas em todo continente.
A CUT, em carta enviada ao presidente Evo Morales pelo seu presidente Artur
Henrique e pelo secretário de Relações Internacionais, João Felício,
manifestou sua posição: “Nos preocupa sobremaneira a iniciativa de
autoridades de Santa Cruz de convocar um referendo ao arrepio da legislação
nacional para aprovar a criação de um Departamento Autônomo, que tem nítidas
feições de um processo separatista”. A CUT se posiciona apoiando o governo
Evo Morales, frisando que a iniciativa nascida em Santa Cruz “não interessa
aos trabalhadores, cruceños, bolivianos, brasileiros e latino-americanos,
que é uma ilusão manipulada pelas elites locais e de oposição contra um
governo democrático-popular que somente trará prejuízo à população da nossa
região”. Este posicionamento ofiicial da CUT deve ser a base de uma campanha
de solidariedade não só ao movimento sindical boliviano, mas ao povo
explorado e oprimido da Bolívia, às grandes maiorias nacionais que apóiam o
governo Evo. |