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A campanha de Veja contra Paulinho e a Força Sindical
Em nota oficial, há cerca de duas semanas, a
Força Sindical, ao denunciar a campanha contra o seu presidente, deputado Paulo
Pereira da Silva, apontou como origem da cruzada “aqueles mesmos que buscam
nosso apoio político e, ao vê-lo negado, não se conformam com nossa
independência”.
A “Veja” desta semana dedicou-se a confirmar,
com sobras, o que havia dito a central sindical. Agora, a Força Sindical virou,
meramente, uma criação de Collor, sem que a “Veja”, durante 17 anos, tenha
falado uma palavra sobre o assunto. Só agora, quando os líderes da Força
Sindical estão apoiando o governo Lula, é que resolveram recorrer ao que, no
essencial, é uma falsificação dos fatos.
FATOS
O problema da “Veja” é que a Força Sindical – e,
especialmente, seu presidente – recusaram-se a ser instrumento do golpismo
contra o atual governo. Era esse o papel que “Veja” e outros covis queriam
reservar para a central de Paulinho: o de serviçais do golpe, assim como no
Chile, e outros lugares, fizeram com uma parcela do movimento sindical que
conseguiram prostituir. Mas, como a Força Sindical não se prestou a isso, então,
os Catões de bordel colocaram na praça os seus berros de “delenda est”. Mais uma
vez, não é por alguma coisa que Paulinho tenha feito de errado que eles querem
destruí-lo, mas, precisamente, pelo que fez de certo – por estar junto, e não
contra, os trabalhadores e o povo brasileiro.
Em sua importante série sobre a “Veja”, o
jornalista Luís Nassif cunhou o termo “assassinato de reputações” para
sintetizar a principal atividade desse latrinoso antro de escândalos
pré-fabricados.
Nada mais correto. Confira-se a agressão ao
deputado Paulo Pereira da Silva. O texto não é uma “reportagem” sobre o que o
deputado fez ou deixou de fazer. Não é uma “matéria” sobre tais ou quais
supostas investigações da Polícia Federal. Simplesmente, é uma desoneração
vomitiva quase interminável de difamações, uma erupção de lama sobre a honra
alheia, sem que nenhuma prova seja publicada para sustentar esse despejo
repulsivo.
Atentemos para o seguinte trecho: “Duas
das principais lideranças da central, o lobista João Pedro de Moura e o
advogado Ricardo Tosto, foram presas pela PF, acusadas de cobrar propina para
liberar empréstimos no banco estatal [o BNDES]. O deputado (....) pode ter
recebido parte do butim” (grifos nossos).
Na primeira frase, a “Veja” transformou um
advogado e um assessor em “lideranças” da Força Sindical - e não em quaisquer
“lideranças”, mas em “duas das principais”. O objetivo é afirmar, na
frase seguinte, que o deputado (este, sim, a principal liderança da central)
“pode ter recebido” alguma coisa. Se os primeiros eram “duas das principais
lideranças” e foram presos pela PF sobre a acusação de “cobrar propina”, logo,
Paulinho, que realmente é a principal liderança da entidade, “pode ter recebido”
uma parte da propina. A falsificação de promover funcionários da central a
lideranças serve para induzir a mesma acusação sobre a verdadeira liderança.
Mas, o que significa, na segunda frase, essa
história de “pode ter recebido”? Significa que não há fato. Que “Veja” está
atribuindo ao deputado algo tão (ou ainda menos) verdadeiro quanto se alguém
escrevesse: “o pai do Civita pode ter sido um pedófilo homossexual” ou “a
mãe de quem escreveu o texto sobre o Paulinho pode ter sido uma rameira
ninfomaníaca”. E os fatos que se danem, a verdade que vá para as cucuias, pois
qualquer coisa “pode ter sido”, assim como qualquer um “pode ter recebido”. Para
tais afirmações vadias, certamente não se precisam de provas.
Nos poucos fatos, referidos de passagem, não há
ilegalidades. Se houvesse, com certeza a “Veja” faria um escarcéu. Como não há,
ela também faz um escarcéu para que alguns parvos ou desprevenidos acreditem que
há ilegalidade. Não se faz o escarcéu porque haja ilegalidade. Pelo contrário, a
suposta prova de que há ilegalidade é somente o escarcéu. O barulho somente
serve para levar alguns a crer que ali encontra-se, precisamente, o que ali não
existe.
ILAÇÕES
Assim, a correspondência do presidente do
Codefat é apresentada como se houvesse nela algo de ilegal, quando a única
ilegalidade é a violação dessa correspondência pela “Veja”. Nos outros dois
fatos mencionados - doações para duas Ongs - não há, também, nada de ilegal. Nem
a “Veja” tenta provar que há, pois a intenção não é publicar a verdade, mas
enlamear o deputado e promover um golpe no Ministério do Trabalho – já que não
conseguem derrubar o presidente Lula, querem derrubar o ministro Carlos Lupi.
Aliás, contra o último não há nada, nem mesmo
ilações a partir de investigações da PF. Mas desde quando essa pocilga
conforma-se com a honradez de alguém, somente porque nada existe contra ele?
O ramo de “Veja” não é o jornalismo. Os fatos
não têm interesse para ela. Já a verdade, não tem importância alguma. Seu ramo é
a execução moral por razões políticas, como os nazistas faziam no seu infecto
jornal, o “Völkischer Beobachter”. Esta última palavra, por sinal, quer dizer,
em português, “observador”. Qualquer semelhança com “Veja” não é uma
coincidência, mas uma relação de parentesco.
CARLOS LOPES
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