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BC açula especuladores com mais
títulos da dívida atrelados à Selic
Sabotadores do
crescimento propagam alta dos juros e papéis vinculados à taxa Selic aumentam de
33,35% para 35,34% em abril
Aretomada do aumento dos juros da Selic
pelo Banco Central e a sinalização, através da última ata do Comitê de Política
Monetária (Copom), das seguidas declarações do presidente do BC, Henrique
Meirelles, e dos seguidos boletins Focus de que os juros vão continuar a subir,
provocaram uma piora na composição da dívida pública. Como seria de esperar, os
especuladores correram sensivelmente para os títulos que têm rendimento em juros
pela taxa básica (Selic) estabelecida pelo Banco Central.
O resultado foi uma diminuição nos títulos que
têm juros pré-fixados e um aumento naqueles que têm juros que dependem da
vontade do BC. Por que os especuladores, principalmente bancos externos, iriam
aplicar em títulos cujos juros não variam, se eles têm todas as garantias do BC
de que os títulos com juros pela Selic irão aumentar seu rendimento nos próximos
meses, fazendo com que mais dinheiro público seja transferido para seus cofres?
Em abril, segundo o Tesouro Nacional, a
participação de títulos pré-fixados caiu de 36,26% para 34% e a dos papéis
vinculados à taxa Selic aumentou de 33,35% para 35,34%. Note-se que a retomada
dos aumentos de juros foi apenas no dia 16 de abril. Cerca de 15 dias foram
suficientes para que a dívida pública sofresse uma significatica - mais ainda
porque aponta uma tendência - modificação para pior, pois, os títulos regidos
pela taxa básica do BC representam uma sangria maior para as finanças públicas,
em razão, exatamente, da alta de juros anunciada e prometida aos especuladores
por Meirelles.
É interessante que, ao mesmo tempo que faz
alarde de seguir a “meta de inflação”, mesmo à custa de aumentar juros que já
são os mais altos do mundo e travar o crescimento do país conseguido pela
política do presidente Lula, Meirelles não faz a menor questão de se seguir as
próprias metas que estabelece quando se trata de contemplar os bancos. A meta do
BC para a participação dos títulos pré-fixados na composição da dívida é 35%.
Quanto aos títulos indexados pela Selic, a meta máxima é 30%. No entanto, não há
qualquer problema se essas metas (como foi o caso em abril) não forem atingidas,
para mais ou para menos, se a questão for a conveniência dos rentistas da dívida
pública.
Note-se que o custo médio da dívida interna
subiu em abril e que a participação estrangeira na dívida interna federal também
aumentou.
Configura-se mais vez a velha regra estabelecida no BC: seja qual for a
situação, adota-se a política de favorecimento aos especuladores.
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