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Líderes da base definem fonte para assegurar mais R$ 10 bilhões para a Saúde
O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PT/PE),
anunciou nesta terça-feira que a base aliada entrou em acordo para aprovar o
Projeto de Lei Complementar 306/08, que regulamenta a Emenda 29, assegurando
somente neste ano mais R$ 10 bilhões para a saúde pública. Para cobrir os novos
gastos, os deputados vão propor a criação de um tributo sobre a movimentação
financeira na votação da lei complementar.
“Não adianta dizer que os recursos para a saúde
virão do aumento da arrecadação, que é circunstancial”, avaliou o líder do PT.
“É preciso votar a criação de uma fonte de recursos permanente e sólida. A base
aliada vai fazer todos os esforços não apenas para votar a regulamentação dos
novos recursos da saúde, mas também, de forma responsável, para assegurar fontes
para esses novos recursos”, disse, após reunião dos líderes na residência do
deputado Jovair Arantes (GO), líder do PTB.
Segundo cálculos dos deputados, um imposto de
0,1% sobre a movimentação financeira geraria cerca de R$ 10 bilhões extras para
a Saúde. Os líderes da base estudam também aumentar a taxação de impostos sobre
bebidas e cigarros para complementar o aumento de recursos. A estimativa é que a
regulamentação da Emenda 29 acrescente entre R$ 9 bilhões e R$ 12 bilhões ao
orçamento da Saúde deste ano (fixado em R$ 48 bilhões).
Maurício Rands explicou que o aumento no IPI de
cigarro e da bebida, setores que têm repercussão na saúde e nos gastos públicos
do SUS, não seria suficiente para cobrir a despesa. A alternativa passou a ser a
criação de uma contribuição permanente sobre movimentação financeira com uma
alíquota mais restrita que a antiga CPMF.
Os deputados destacam que, apesar da
Constituição Federal vetar ao Congresso a criação de novos impostos por
considerar que é uma atribuição do Executivo, existe uma jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal (STF) que abre caminho para a criação de contribuições
por meio de lei complementar. “O consenso é que não há qualquer impedimento
jurídico para a criação de um tributo por meio de lei complementar destinada
exclusivamente à saúde”, afirmou o líder do PT.
A base aliada argumenta que, como a Emenda 29
foi aprovada no Senado sem a definição das fontes que garantiriam a vinculação
de recursos para a saúde, os deputados precisam corrigir essa distorção. “Cabe,
portanto, à Câmara, agora, regulamentar a Emenda 29 com responsabilidade,
indicando a origem desses recursos para fazer face às despesas”, disse Rands. |