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Nem oposicionista sustentou o assessor de Dias
O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR),
André Fernandes, caiu em várias contradições durante o seu depoimento à CPI
dos cartões corporativos, realizado na última terça-feira. Não explicou por
exemplo por que, estando de férias, compareceu ao gabinete do senador,
coincidentemente no mesmo dia em que chegava o e-mail de José Aparecido com
as informações sigilosas dos gastos de Fernando Henrique e D. Ruth.
Caracterizado pela senadora Ideli Salvatti
(PT-SC) como “arroz de festa” de CPIs, por ter assessorado vários tucanos em
comissões de inquérito, André Fernandes afirmou que “interpretou” o envio do
arquivo por parte de Aparecido como uma “ameaça” às oposições.
A senadora considerou estranho que, sendo uma
suposta “ameaça”, ou mesmo “chantagem” contra a oposição, porque então ele
havia entregue o material para o senador Álvaro Dias que, por sua vez,
divulgou tudo na revista Veja. Segundo Ideli, “não há lógica neste
comportamento”. A não ser que o objetivo fosse criar a história do dossiê,
para tentar atingir o governo Lula.
Gaguejando muito e inquieto, Fernandes, que é
consultor de carreira do Senado, também não explicou por que não comunicou o
fato de ter recebido este material sigiloso ao seu superior hierárquico, o
consultor-geral do Senado. Os senadores presentes à sessão da CPI comentaram
que era sua obrigação funcional fazer isso. Ele disse que achou muito
estranho ter recebido aquele material, ficou “perplexo”, mas “preferiu”
usá-lo para fazer política, entregando-o ao senador Álvaro Dias, membro das
oposições.
Durante a semana, o senador Álvaro Dias alardeou
que seu assessor iria dizer que tinha partido de Erenice Guerra, auxiliar da
ministra Dilma Roussef, a ordem para a feitura do documento. O fato levou a
senadora Ideli a ironizar que era a primeira vez que um senador se
transformava em porta-voz do assessor. “O normal é o assessor ser porta-voz
do senador e não o contrário”, constatou a senadora.
Disse que Aparecido lhe relatara que Erenice
tinha dado a ordem para fazer o documento. Não conseguiu sustentar a
afirmação. Não apresentou provas e acabou sendo desmentido por Aparecido. O
funcionário da Casa Civil disse que era tudo invenção de André. Que nunca
falou com Erenice sobre esse assunto.
Depois que o material saiu na Veja, Fernandes,
que se dizia “chantageado”, estranhamente participou de um almoço com o
próprio José Aparecido, no Clube Naval de Brasília, (21/03). No encontro,
segundo Aparecido, André insistiu muito para que ele concedesse entrevista
para a Veja. No depoimento, André Fernandes jurou de pés juntos também que
nunca tinha pedido emprego no governo Lula. Novamente foi desmentido (ver
matéria abaixo).
Disse à CPI que a amizade, que começou em 1991,
foi interrompida em 2004 porque supostamente Aparecido teria lhe coagido a
deixar a assessoria do então senador tucano Antero Paes de Barros. E foi
retomada em 2006 porque, segundo ele, tem “um coração de manteiga”. O
deputado Paulo Teixeira (PT-SP) perguntou: “Seu caráter é também de
manteiga?”.
Ele disse aos senadores da CPMI que tinha
informações que não poderia dar em público e solicitou uma sessão secreta da
comissão. Os senadores rejeitaram o pedido, entendendo que se ele tinha algo
para dizer deveria falar abertamente.
Nem mesmo o líder do Dem no Senado, José
Agripino, conseguiu apoiar Fernandes e disse que estava “vivendo um festival
de mentiras”, não sentia “firmeza em nenhuma das partes” e que colocava sua
expectativa no “laudo da Polícia Federal”.
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