|
Falácias contra a luta armada durante a ditadura
Em artigo que a Folha de S. Paulo publicou em
função do incômodo de ver o seu campeão Agripino Maia ser desmascarado diante
das câmeras pela nossa ministra Dilma Rousseff, Marco Antonio Villa, apresentado
como professor de história da UFSCar, se dedica a envernizar a surrada tese de
que a luta armada em nada contribuiu para a derrota da ditadura, e, pelo
contrário, ajudou-a a se consolidar.
Quem viveu o período sabe o quanto a dita cuja
apreciava essa ajuda, a ponto de retribuí-la com infames - e, sob muitos
aspectos, desesperados - atos de tortura e assassinatos que a levaram ao
isolamento e à deterioração.
Não vamos debater com o professor essa questão,
até porque se trata de matéria vencida e o objetivo de seu artigo não é
discutir, mas denegrir: “Precisamos romper o círculo de ferro construído,
ainda em 1964, pelos inimigos da democracia, tanto à esquerda como à direita”.
O que nos interessa é esclarecer uma questão que
ele aborda nos seguintes termos: “Quem contribuiu mais para a restauração da
democracia: o articulador de um ato terrorista ou o deputado federal emedebista
Lisâneas Maciel, defensor dos direitos humanos, que acabou sendo cassado pelo
regime militar em 1976? A ação do MDB, especialmente dos parlamentares da ‘ala
autêntica’, precisa ser relembrada”.
Então, relembremos:
1.
Nunca nenhum integrante do grupo autêntico do MDB – ala, só em escola de samba,
prezado! - se referiu ou considerou as ações derivadas da luta armada contra o
poder ilegítimo que emergiu de um golpe contra as instituições democráticas do
país como “ato terrorista”. Aliás, este é um jargão próprio das viúvas da
ditadura.
2.
Em nenhum momento os integrantes da luta armada deixaram de manter estreito
diálogo com o grupo autêntico do MDB.
3.
Mesmo em 1970, quando divergimos taticamente sobre a participação naquelas
eleições, o diálogo não foi rompido.
4.
Lisâneas Maciel teve em 1974 uma votação consagradora (97.726 votos), no Rio de
Janeiro, porque contou com o apoio firme do MR8 e outras agremiações de esquerda
que participaram da luta armada. O acordo eleitoral foi fechado pessoalmente
pelo autor destas mal traçadas, que, na época, ainda se encontrava na
clandestinidade.
5. Em 1974 o resultado total dos votos
nulos, brancos e abstenções baixou para 41,2%, contra 52,9% nas eleições de
1970, quando os setores que participavam da luta armada sustentaram
majoritariamente a posição de boicote às eleições, como forma de denunciar o
regime.
O professor quer estabelecer antagonismo e
divisão onde havia fundamentalmente complementaridade e cooperação, porque é
tolo ou talvez por não ter percebido que para ensinar história é preciso
aprendê-la.
SÉRGIO RUBENS
|