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Governo fantoche nega a entrada à
equipe de defesa do chanceler no Iraque
Advogados de Aziz são impedidos de
comparecer
ao tribunal-farsa
Advogado principal da equipe de
defesa está jurado de morte e teve que buscar asilo. Julgamento é retomado com
denúncia forjada depois de cinco anos de prisão
sem acusação
Os
advogados do chanceler e vice-primeiro-ministro do Iraque, Tareq Aziz, foram
impedidos de entrar no país para defendê-lo diante do tribunal-farsa. O
“julgamento” foi reini-ciado na terça-feira, após ter sido suspenso no dia 29 de
abril.
Ziad Aziz, filho de Tareq, que vive na Jordânia, disse que a equipe de advogados
- liderada por Badie Izzat Aref e integrada pelo francês Jacques Vergès e mais
quatro advogados italianos - foram impedidos de viajar a Bagdá por não receberem
vistos de entrada do governo fantoche. “Todos os advogados que se declararam
dispostos a defender meu pai não receberam até agora vistos para entrar no
Iraque e comparecer ao julgamento”, afirmou Ziad.
“Eu solicitei às autoridades iraquianas visto para me deslocar a Bagdá e
assessorar a defesa de Tareq Aziz, que me designou como seu defensor. Também
solicitei às autoridades dos EUA autorização para encontrá-lo. Até hoje, não
recebi nenhuma resposta tanto das autoridades do Iraque quanto dos EUA”,
denunciou Jacques Vergès, no dia 19 passado, em Paris.
ENCENAÇÃO
Tareq foi levado ao tribunal de ocupação sob a falsa acusação de ter mandado
executar 42 comerciantes em 1992, condenados segundo as leis soberanas do país
por especular com preço dos alimentos, exatamente num momento em que o povo
iraquiano sofria com o bloqueio imposto ao país. Na ocasião, o governo havia
congelado os preços dos gêneros essenciais para garantir alimentos à população.
Na época destes acontecimentos, Tareq era ministro das Relações Exteriores.
Outros sete líderes iraquianos estão sendo submetidos à mesma encenação.
Em sua primeira declaração ao “tribunal”, Tareq denunciou que existe uma
conspiração contra ele: “Sei que há uma conspiração, uma vingança pessoal,
porque as pessoas que governam o Iraque hoje tentaram me matar em 1º Abril de
1980 na frente de centenas de pessoas”. Tareq se referiu a um atentado à bomba
sofrido por ele em Bagdá.
“As acusações contra Aziz não têm credibilidade”, afirma Badie Aref. Ele
denunciou que “a acusação supõe que, apenas porque ele era membro do Conselho do
Comando Revolucionário, é culpado”.
DESAPROVAÇÃO
Ziad Aziz também denunciou a farsa. “O governo do Iraque esquiva-se da
desaprovação pública por manter preso um homem por cinco anos sem apresentar
nenhuma acusação contra ele”. Ziad comunicou-se com seu pai por telefone na
quinta-feira (15 de maio), quando conversaram por 11 minutos. “Ele me disse que
vai ter que se defender sozinho se nenhum de seus advogados conseguir estar
presente no julgamento. Ele me contou que não recebeu as roupas de verão e os
cigarros que eu enviei a ele no início do mês”.
Além da recusa do visto, Badie Aref denunciou falta de segurança para sua ida a
Bagdá. “Ninguém do governo iraquiano garantiu minha segurança”. Aref foi forçado
a se exilar na Jordânia no ano passado após quase ser seqüestrado na porta do
tribunal na Zona Verde por um esquadrão da morte e, em seguida, receber
notificação do comando americano que “não poderia garantir” sua vida. Na
ocasião, havia acabado de apresentar ao tribunal farsa documentos produzidos
pelo próprio Pentágono que comprovavam que, em 1988, o ataque químico à aldeia
curda de Halabja foi cometido pelos iranianos, quando cinco mil pessoas foram
mortas com gás venenoso durante a guerra Irã-Iraque.
LUIZ ROCHA |