|
Aziz a seus familiares: “Não se preocupem
comigo,
estou firme”
Após manter em cativeiro durante cinco anos sem ter
qualquer tipo de acusação contra Tareq Aziz, o tribunal de ocupação inventou
a falsa acusação contra o líder iraquiano, além de privá-lo do direito de
ter advogados para a sua defesa. Como havia relatado seu filho Ziad, antes
da primeira sessão frustrada do “julgamento” em 29 de abril último, “meu pai
era o responsável pelas relações exteriores do Iraque com outros países, e
não tinha relação com o caso dos mercadores”.
Relatando mensagem enviada à família através de um
advogado, Tareq afirmara: “Não se preocupem comigo, estou firme”. Ziad
destacou também que “todos sabem que ele não tem nada a ver com o caso, mas
o governo [fantoche] o acusou por causa de seu nome, porque ele é Tareq Aziz”.
Depois do presidente Sadam, Tareq é a liderança iraquiana
mais conhecida no mundo. Cristão, Tareq simbolizou a amplitude da revolução
iraquiana liderada por Sadam, que foi capaz de unir muçulmanos sunitas e
xiitas, cristãos, curdos, turcomanos e todos os setores integrantes do país.
Para dar algum ar de verossimilhança ao “julgamento”, os
fantoches montaram uma verdadeira salada de acusados, que inclui o general
Ali Al Majid, que comandou o combate às tropas invasoras no sul em 2003 e a
frente norte contra o Irã na década de 80; o presidente do Banco Central
Essam Rashid Kuwaish; o ministro das Finanças Ahmed Hussein Khudier; o
ministro do Interior Watban Ibrahim Al Has-san; o diretor de segurança
pública (1991-1995) Sabawi Ibrahim Al Hassan; o dirigente do Conselho da
Revolução, Mizban Khudier Hadi; e o secretário de Sadam, Abid Hamid Mahmud.
Além disso, a condenação dos 42 especuladores foi feita com
base nas leis soberanas iraquianas, não por um tribunal de ocupação. Naquele
momento, quando o Iraque se levantava após a agressão de 30 países de 1991,
o país se mobilizou para fazer frente ao criminoso bloqueio, que visava
enfraquecer o governo legítimo e levar à fome a população.
Enquanto a imensa maioria do povo iraquiano concentrava
seus esforços para superar o infame bloqueio, alguns tentaram se locupletar
à custa da fome dos iraquianos. Mas foram impedidos e pagaram pelo crime.
Cerca de 500 mercadores foram presos, levados a julgamento, o que resultou
na condenação de 42 oportunistas. Esses foram executados e tiveram seus
ilegítimos bens confiscados, sob as leis do país.
Na fase anterior do tribunal-farsa - “Anfal” (a tragédia de
Halabja) -, à qual compareceu como testemunha de defesa, Tareq afirmou com
sua costumeira altivez: “Tive a honra de trabalhar com o herói Sadam,
responsável pela unidade e soberania do Iraque”. |