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Jornada menor aumenta
salário e promove distribuição de renda
ANTONIO NETO
Além de gerar mais empregos e possibilitar uma qualidade
de vida melhor para o trabalhador, a redução da jornada de trabalho das atuais
44 horas para 40 horas semanais é uma questão importante para contribuir com o
processo de distribuição de renda no país, uma vez que não terá redução de
salário.
Num momento em que o Brasil está crescendo aceleradamente,
fruto de políticas governamentais como o PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento), é fundamental que a riqueza angariada pelo setor privado seja
distribuída, de uma forma mais justa, com quem a gera, o trabalhador.
Embora tenha ocorrido melhoras nesta questão, a ampliação
da renda da maioria da população está muito aquém do aumento do lucro alcançado
pelas empresas. Para se ter uma idéia, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu
cerca de 5,4% no ano passado e a massa salarial num patamar semelhante. No
entanto, segundo um estudo da consultoria Economatica, o lucro das 257 maiores
companhias que atuam no país atingiu R$ 123,7 bilhões no ano passado, 20,16% a
mais do que em 2006. Em relação ao primeiro ano do governo Lula, esse montante
representa um aumento de 139,64%. O setor que mais lucrou, pelo quinto ano
consecutivo, foi o bancário.
Isso mostra que está havendo uma disparidade muito grande
entre o aumento do lucro e o aumento salarial. Estamos produzindo mais, gerando
mais lucros, mas os salários não estão acompanhando o mesmo ritmo. Resultado:
maior concentração de renda.
É claro que a luta pelo aumento real dos salários deve ser
mantida e intensificada. Porém, a redução da jornada, sem redução dos salários,
é um mecanismo que contribui com o processo de aumentar a renda da classe
operária.
Vamos todos às ruas lutar para que o crescimento econômico
represente também mais comida e bem-estar na mesa do trabalhador.
(*) é presidente da CGTB e vice-presidente da FSM
(Federação Sindical Mundial) |